quinta-feira, 11 de julho de 2013

AMIGOS DO PEITO LANÇA CAMPANHA DO LEITE LONGA VIDA



Lídia Duarte Wingert e o jornalista Jair Wingert da ONG Amigos do Peito estão engajados em mais uma campanha em beneficio da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Campo Bom.

Liga Feminina de Combate ao Câncer de Campo Bom será a grande beneficiada.

A Associação Campo-bonense Amigos do Peito, uma ONG que atua na área de palestras, depoimentos e orientação no sentido de prevenção do câncer com ênfase no câncer de mama. A Amigos do Peito surgiu a partir da mobilização do jornalista Jair Wingert e de sua esposa Lídia Duarte que teve um caso de câncer de mama (doença de Paget), diagnosticada em 2008, tendo que se submeter a uma mastectomia radial (retirada total da mama esquerda), bem como, passou por quatro sessões de quimioterapia e 25 sessões de radioterapia. Hoje a família está engajada na luta contra o Câncer de Mama e criaram com um grupo de amigos, a Associação Amigos do Peito. “O câncer afeta toda a estrutura da família e nós estamos em palestras abordando tudo o que envolveu nossa história que graças a Deus teve final feliz”, destaca Jair Wingert. Já sua esposa afirma que o câncer mexe com parte física, especialmente da mulher, mas também com a psicológica e que o caminho é a prevenção, exames periódicos, mamografia (exigir a mamografia se tem mais de 40 anos, porque é direito de toda mulher). As palestras são realizadas em qualquer cidade do Estado e contam como foi o processo de diagnóstico da doença, as dificuldades, a luta pela vida, a busca de informações (pesquisa), tratamento, confiança nos médicos, apoio espiritual, apoio dos amigos e a força vinda de Deus. Contatos para palestras em escolas, igrejas, associações, clubes de serviço, sindicatos, Prefeituras, Câmaras de Vereadores e outros podem ser feitos pelo e-mail: jwingert@ig.com.br ou jairwingert@gmail.com.

Faça sua parte: doe uma caixinha de leite longa vida integral
Baseado na premissa de não causar sofrimento e se possível diminuir o mesmo é que a Amigos do Peito através do jornalista Jair Wingert está desencadeando uma campanha de arrecadação de leite longa vida (integral) que será repassado a Liga Feminina de Combate ao Cãncer de Campo Bom. “A Liga cumpre um papel importante ajudando muitas pessoas quer com alimento, medicamento, aconselhamento, apoio psicológico e exames. Conheço o trabalho das voluntárias e eu mesma fui beneficiada e agora queremos ajudar, pois sou uma sobrevivente e sou muito agradecida por esta benção”, destaca Lídia Wingert. O jornalista Jair Wingert enfatiza: “ No quadro dos pacientes da Liga que não se alimentam pela boca estão cadastrados na Liga são em torno de 35 pacientes. A gente está pedindo que a comunidade se mobilize e ajude nesta campanha. È muito importante que a comunidade participe e faça sua doação”, destaca Jair Wingert.

Para doar é tri fácil
Para fazer sua doação você poderá fazê-lo no comércio de Campo Bom – Supermercado Central na Rua dos Andradas – Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom – Supermercado Sander na Avenida dos Municipios, no Supermercado Haag na Rua Pastor Frederico. Faça sua doação e ajude nesta causa que é de todos nós. Você já fez tudo por seu semelhante? Pense nisto, pois um dia vamos encontrar... Se você tiver sua doação para fazer, entre em contato conosco que nós vamos até você e buscamos sua doação ou se preferir vá até um dos pontos e deixe sua doação de leite. Contatos podem ser feitos pelo e-mail: jwingert@ig.com.br ou pelo telefone: (51)9856.9252.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A BOMBACHA TROCADA EM SANTO ANTÔNIO

Pois num período em que  o velho Arcedino era mais novo, ele andava por todo Rio Grande  vendendo, era uma espécie de mascate e na maioria das vezes viajava solito, à cavalo. E numa destas andanças lá pras bandas de Santo Antônio da Patrulha (lembra da piada da trulha?), pois, quando caiu a noite o velho Dino se achegou a uma pousada que ficava ali na cidade alta. Foi entrando e pedindo pouso! O dono do estabelecimento foi logo avisando: “Mais óia, vivente! Não tem mais quarto vago! Tá tudo ocupado!“. “Mas não tem nem uma cama pra mim encostá o lombo? Tô viajando o dia todo!”, perguntou tio Dino com a cara de  cão triste; estilo Pirlo aquele jogador da Itália. O dono condoído respondeu: “Tem um quarto com duas camas, mas já tem um peão dormindo lá, serve?” Tio Dino observa: “Não tô pra escolhê, serve!” Mas o dono da pensão que era cria lá do Monjolo avisou: “O índio é meio chegado numa canha! Deve tá borracho e não vai protestá!” Ao Chegar no quarto tava lá o vivente, apagado, com um litro vazio no chão e outro na mão! O tio Dino sem fazer barulho tirou as botas e se deitou! Lá pelas tantas, de madrugada, acordou com uma baita caganeira! Como todo morungavense levantou-se e saiu correndo para o banheiro que ficava no final do corredor da pensão, mas não deu tempo... deu-se a tragédia! E o pior é que ele tinha que seguir viagem de manhãzita! E agora? Olhando para o borracho na cama, viu que a bombacha dele era igualzita a sua e o tamanho também! Tio Dino que é mais ladino que lagarto tenteando caixa de abelha  teve uma ideia: tirou sua bombacha carimbada, lavou-se como pôde, tirou a bombacha do borracho e lhe enfiou a sua! Antes de sair o sol, encilhou o seu pingo e se mandou mundo a fora vendendo os produtos “Made in Morungava”! Tempos depois, andava o velho Dino pelas mesmas bandas de Santo Antônio, quando lembrou-se do vivente e do causo da bombacha trocada! Mordido pela curiosidade, chegou na pousada e perguntou pelo índio com quem dividira o quarto naquela fatídica noite! O dono do estabelecimento com cara assustada respondeu: “Pois ficô lôco, tchê! Tá internado no hospício lá em Porto Alegre”, Tio Dino sempre  preocupado com os outros pergunta: “Ué, mas por quê??!” E a resposta surgiu imediata por parte do dono da pensão: “De tanto pensá em como é que ele conseguiu cagá as bombacha sem cagá as cueca!”
    Macho ou fêmea?
Quando surgiu a tal de energia elétrica em Morungava, Ditão índio velho mais grosso que dedão destroncado, adentrou na venda do Anselmo para comprar os apetrechos para a instalação. No papelzinho que o eletricista anotou pedia uma tomada. O atendente perguntou pro Ditaõ: “O senhor quer uma tomada macho ou fêmea?” Ditão não pensou duas vezes: “Tanto faz, que é pra ligar os aparelhos e não pra tirar cria!”, Mas oigalê tchê porquera! Tem que ter concurso -  100% Morungava.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

TIO DINO: O MOCOTÓ QUE ENGARRAFA A RS 020

Veja o que é estudo, tio Dino é marqueteiro mesmo. Dá só uma olhada na chamada para o mocotó.
Pois não é que o telefone celular toca e do outro lado da linha Arcedino Nunes, popular tio Dino mais apavorado que sapo em cancha de bocha, pedindo conselhos para o sobrinho preferido. Tio Dino agora  depois de  82 anos de labuta resolveu voltar a ativa e deixou o sítio, adquirindo um bolicho ali na beira da RS 020, aquela que liga Taquara a Porto Alegre. Bem na entrada do Morungava o velho Dino oferece comida caseira, pinhão cozido, assado, lenha de nó pinho, quentão (só escondido), pastel, o famoso chicho ou “espetinho de gato”, além é óbvio do café  passado na hora, ovo cortido, rosca com nata, pão de milho, chimia, refrigerante, broa de polvilho e as deliciosas ambrosias em vidro de nescafé, produção Made in tia Miúda. Outra especialidade é o famoso Mocotó (eu particularmente não sou muito chegado, porque vai carne suína). Segundo o velho Dino o mocotó em sexta-feira a noite chega a dar congestionamento na RS 020 e se pela manhã na Rádio Gaúcha, o Macedo fala do congestionamento na BR 116, as sextas-feiras  chega a ter 35 quilômetros de congestionamento na 020, tudo em função da procura ao mocotó do Dino velho de guerra. Em Taquara o trânsito tranca alí nas proximidades do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS). E para provar que está investindo pesado em marketing, me mandou uma foto da publicidade que faz de seu mocotó alegando: “Propaganda é a alma do negócio meu sobrinho e dento do foco de marketing de agressividade, bolei este anúncio que tem feito o maior sucesso por aqui” (Dá uma olhada na foto). Agora com a crise do leite, tio Dino está fazendo um estudo cientifico lá no sitio está dando diariamente duas latas de Nescau para a  barrosa, o objetivo é ver se a vaca consegue dar leite achocolatado. “Se der certo tamo rico guri e ai tu larga este negócio de política ai por Campo Bom e vou te pagar uns 8 mil por mês para tu ser meu assessor de imprensa”,  informa tio Dino mais faceiro que gordo de camisa nova.

“Gente da cidade grande é grossa barbaridade”

Já escrevi que toda a produção do sítio do velho Dino aí na Morungava era vendido em Porto Alegre na Ceasa, mas o velho Dino também tinha um cliente forte que comprava toda produção do queijo confeccionado com leite de cabra. O cliente era um hotel alí próximo a Coronel Vicente e a Alberto Bins na capital. Tio Dino dirigia sempre em alta velocidade e quando jovem não respeitava muito, aliás, gostava de uma encrenca. E não é que um guarda de trânsito pára o velho Dino por excesso de velocidade: - Posso ver a sua carteira de habilitação?” pergunta o guarda. Tio Dino mais esperto que cigano vendendo panela disse de pronto: - Não tenho. Foi suspensa na última vez em que fui processado!"O guarda argumenta:  - Muito bem! Então posso ver o registro de propriedade do veículo? O velho Dino mais sério que nenê cagado aplica:  “O carro não é meu... Eu roubei!” O guarda já assustado destaca: “ O carro é roubado?” “Sim, é roubado! Mas espere! Acho que vi o registro de propriedade no porta-luvas quando fui guardar o meu 38...” observou tio Dino fazendo cara mau. O guarda deu um grito: “O quê? Tem uma arma no porta-luvas?” questiona o guarda que na época não era chamado de azulzinho: “Sim... Eu guardei lá depois de matar a dona do carro e jogar o corpo dela no porta-malas!”, informa tio Dino ao apavorada guarda que retruca: “Não acredito! Tem um corpo no porta-malas?” “Sim senhor...”Ao ouvir isto, o agente chama imediatamente o seu superior, que começa o interrogatório:”Senhor, posso ver a sua carteira de habilitação?”, pergunta o chefe. “Claro, aqui está ela!”, observa tio Dino.
Apreensivo, o policial examina o documento e vê que tudo está em ordem!
“A quem pertence este veículo?” - prossegue ele.
“É meu, seu guarda. Aqui está o registro de propriedade - diz o velho morungavense entregando o outro documento ao policial, que checa e constata que realmente o veículo pertence ao condutor; Arcedino Vieira Nunes.
“O senhor faria o favor de abrir lentamente o seu porta-luvas?”, pergunta o chefe.
- Sim senhor - diz o tio Dino, tranqüilamente, mostrando que o porta-luvas estava vazio. “Agora quero ver o porta-malas” - diz o oficial, confuso.
O tio Dino sai do carro e abre o porta-malas, mostrando que lá não havia corpo algum. Perplexo, o policial exclama:
“Não compreendo... O meu agente me disse que você não tinha carteira de habilitação, o seu carro era roubado, tinha uma arma no porta-luvas e um corpo no porta-malas...”  “Ah, claro. E aposto que o mentiroso também lhe disse que eu andava em excesso de velocidade, não é?”, questiona tio Dino que foi liberado e quando andou uns dois quarteirões, olhou no painel para a foto da tia Miúda filosofou: é Miúda velha, esta gente da cidade grande é grossa uma barbaridade. Morungavense que se preze conhece o cego dormindo, o rengo sentado e a cabeça que tem piolho.

100% Morungava- Tem que ter concurso!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

SIM A VIDA! - PARTE 1

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A sociedade atual vem desenvolvendo nos seres humanos muitas patologias. Nunca antes na história deste planeta o consumismo e o individualismo estiveram tão em alta, causando sérios maleficios. Você já notou que todos estão estressados, com extrema pressa e doentes. As farmácia são os meios de enorme lucro, antigamente nas esquinas das grandes cidades estavam os bancos, hoje a maioria dos prédios de esquina em pontos vitais do ponto de vista de logística são ocupados por farmácias. O ser humano vive um dilema terrível. A sociedade diz que você deve ser um vencedor e aí vem a insônia, a frustração e o colapso mental. Neste exato momento existe milhões de pessoas a beira do suicídio e isso independe de raça, credo, seja rico ou pobre, todos com suas inquietudes da alma. Mas a boa noticia é que você pode mudar este quadro, você pode reescrever sua história, pode fechar as janelas “killer” de sua mente. Faça da adversidade algo positivo. Tire lições de seus erros, ria de você mesmo, não leve a vida tão a sério, lembre-se o teatro da existência é rápido e não vale à pena sofrer por coisas que nunca acontecerão. Não esqueça: viva hoje como os membros do AA (Alcoólicos Anônimos), um dia de cada vez. O ontem já não tem como mudar e o amanhã? Este não nos pertence. Lembre-se da cegueira de Milton, a surdez de Bethoveen, a poliomielite de Roosevelt, a pobreza de Lincoln, o casamento trágico de Tchaikovsky, a falta de audição e visão de Hellen Keller. Seja resiliente como foi o presidente Lula, menino pobre do sertão do nordeste em Garanhuns, veio de um lar desestruturado, chegou a São Paulo num caminhão junto com sua mãe e outros irmãos. Passou a trabalhar cedo, na empresa sofreu um acidente, a esposa morreu nos corredores de um Hospital por negligência, perdeu o filho e a esposa num dia. Decidiu lutar, ingressou no movimento sindical, não se intimidou com a milicada troglodita que dava rasantes de avião sobre o estádio onde em São Bernardo, onde os operários desafiaram o regime opressor. Foi preso injustamente. Lula perdeu várias eleições, uma delas com suspeitas, a primeira contra o caçador de marajás e depois mais duas contra FHC aquele que escreveu vários livros e depois disse que tudo que ele escreveu não tinha valor. Lula poderia ou não ter desistido? Sim ou não? Ele escolheu continuar e em 2002, a esperança venceu o medo e o menino pobre que tinha tudo para dar errado venceu e transformou o Brasil. Não resolveu tudo, claro que não, mas o menino pobre provou que o povo quando quer pode. Durante muitos anos havia no Brasil uma teoria que nós éramos uma classe inferior (andar de baixo) e quem tinha que mandar era o pessoal do andar de cima. O Lula contrariou a regra, acabou com a inflação, de devedor somos credores, criou o Bolsa Família, tirou milhões da miséria absoluta, criou o Minha Casa Minha Vida, o maior programa habitacional do mundo. Hoje existe 40 mil brasileiros de classe média baixa estudando fora do país com bolsas do governo Federal. Milhares de negros, índios, deficientes estão nas faculdades pelas cotas que democratizaram o ensino. Lula é o político latino-americano mais respeitado no mundo. Outro aspecto ao se eleger poderia ter implantado o ódio e a perseguição a quem tanto mal lhe causou, pelo contrário perdoou, buscou o diálogo, tanto que convidou para seu vice, José de Alencar, um dos maiores empresários do Brasil. Lula é um personagem a ser estudado. Tem muita coisa para ser feita no Brasil? Claro que tem, a saúde precisa avançar, a educação precisa melhorar mais. È preciso criar programas de qualificação da mão de obra, par aos poucos ultrapassar o Bolsa Família que deve ser apenas temporário. È preciso ampliar as ações em projetos sociais, mas sobretudo é imperioso redistribuir riqueza neste país de forma mais justa. Lula é um exemplo que não devemos desistir nunca. Talvez esteja escrevendo para alguém que está abatido e triste, sim é para você mesmo que acessou este Blog agora e está lendo este texto. Não desista. Não seja escravo de você mesmo. Levante a cabeça e siga em frente, vença seus medos. Certa feita Alexandre o grande, estava prestes a enfrentar um exército mais forte e numeroso. Os soldados do general Alexandre estavam sem ânimo e alguns em pânico, a derrota parecia certa. Assim que os soldados de Alexandre aportaram na praia, o general ordenou que queimassem todos os navios. Alexandre tomou a palavra e disse: “Estão vendo nossos navios queimarem? Essa é a garantia de nossa vitória, porque nenhum de nós poderá deixar esta terra detestável, sem que vençamos a batalha e quando voltarmos para casa, iremos nos navios de nossos inimigos. Não culpe Deus pelos seus infortúnios ou fracassos, você foi criado para vencer e ser feliz. Diga sim a vida. Não sei se disse mais tentei!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

RIO BRANCO, ONTEM, HOJE E SEMPRE



Nasci em Morungava aquela megalópole localizada num vale paradisíaco, aliás, hoje Morungava cedeu muito espaço para emancipações, para ter uma idéia a área de terras de Morungava  dava mais ou menos ali na Praia do Ingleses, isso depois do Mampituba e para baixo até o Mostardas, depois fomos perdendo terras e hoje somos vizinhos de Gravataí, Glorinha , Taquara e Santo Antonio, municípios estes que integram a grande Morungava, mas Bueno, nasci e ainda pequeno (dois anos), vim para Campo Bom em busca de dias melhores com o advento das exportações de calçados. Me criei no Rio Branco construindo carrinho de lomba, andando de perna de pau, lembro uma vez que o Chico Louco e o Carlinhos do Baiano Pneus construíram uma perna de pau tão alta que para andar tinha que subir em cima do telhado da casa do Chico que ficava ao lado da antiga Sociedade Rio Branco na esquina da Andradas com Tapajós, no final, Chico que fazia jus ao apelido teve que ser levado as pressas no TL do seu Moraes dono do armazém na Padre Ambrósio, para que o Dr. Lauro Reus o atendesse, pois caiu e fraturou o braço. O TL desceu a Andradas em alta velocidade (40 por hora) rumo ao outrora eficiente e glorioso Hospital Beneficente de Campo Bom. A vida me deu várias bênçãos e principalmente o privilégio de ter vivido os melhores momentos de minha vida no eterno Morro. Cresci jogado taco na Tapajós de chão batido ou então pinica lá na São Cristóvão com o Dilo, Cau, o Sid e a Dinara que jogava melhor que nós todos juntos. Quem não recorda da famigerada “mãos a ibá”, quando se sentia perdido e o vidro de nescafé denunciava que as tuas bolitas, pinica, bola de gude estavam terminando. A solução era a mãos a ibá e sair fincado e pedradas  e taquaradas nas costas pegando, tudo para salvar teu patrimônio. Nada que uma massagem de cachaça com "mestrus" ou arnica, aquele vidro mágico da vó Guina não solucionasse. Tomávamos banho no então límpido arroio Quatro Colônias que corria atrás da antiga fábrica do Viadei. Nas taquareiras de onde  funcionava o antigo campo do Oriente na Tapajós e onde hoje é fábrica do Viadei, nas noites de sextas-feiras juntamente com o Jorge, Mauro, Leonel, Chita, Strack, Geraldo Becker, Laone e Everaldo  nos escondíamos como vietnamitas conhecedores do terreno e bombardeávamos com ovos podres os casais de namorados que se dirigiam as reuniões dançantes na Capela. Quem nunca comprou figurinha no armazém do Almir pai do Titi?  Ou quem nunca comprou sodinha Cassel no armazém do Wagner?  No futebol havia dois times grandes no Rio Branco, o Guarani no qual defendi e me orgulho de nunca ter trocado de time e a Padaria. Os clássicos lembravam em escala menor Boca X River na Argentina e não raro o prélio como diz o lendário Bilú terminava em batalha campal, mas na segunda-feira no Emilio Vetter ninguém lembrava as desavenças e juntos, atletas do Guarani e Padaria repartiam as merendas. Naqueles tempos vivíamos de forma socialista sem perceber.  Quem nunca vendeu garrafa, osso e ferro velho ao Rubão e seu eterno carrinho de mão? À noite quando minha mãe fazia merengues, nós surrupiávamos do forno a lenha uma forma, eu, o Paulo Vargas, o Strack e meus sobrinhos e comíamos aquele manjar dos deuses, escondidos, sem contar nas melancias que pegávamos emprestadas na roça do seu Helmuth Deuner, o qual temíamos pois a lenda dizia que ele tinha uma espingarda carregada de sal e que o tiro de sal era um veneno. E as festas no Oriente? Animadas pela Continental. Lembra a música que abria os serviços de alto-falantes e encerrava nos domingos à tardinha? Lembrou?  Era Vento Negro com letra do José Fogaça e interpretação dos Almondegas.  E quando chegava o circo no bairro? A Padaria ficava sem campo, pois o circo se instalava onde  era o estádio do nosso rival. O campo da Padaria era na esquina das ruas João Deunner e Tapajós e o nosso estádio era no sitio da família Strack no meio dos eucaliptos próximo ao Rancho da Amizade. Na verdade nosso campo  ficava onde hoje está  localizado o Loteamento Fauth. Quando fomos ficando maiores começamos em bandos a nos aventurar pelo centro da cidade. Comprávamos revista placar num quiosque de frente para a Voluntários da Pátria e localizado na Praça João Blos.  Aos domingos todos no Cine Rio, lembro que gostava mais do Canal 100 com os gols quase sempre dos clássicos Fla-flu se bem que naquela época quem mandava no Brasil era o colorado com Figueroa, Manga, Falcão, Carpegiani, Flávio, Dário, Lula, Caçapava, Valdomiro, uma máquina! Nos matines  filmes do Mazaropi, Bruce Lee e os filmes do Teixeirinha. Recordo que quando passou  Coração de luto a fila estava ali na frente da casa do Chaleira, ou seja, literalmente dobrou a esquina. Foram realizadas três sessões e não esqueço, o filme era tão triste que as lágrimas foram tantas que inundaram a loja Feira Marisa que funcionava no andar abaixo do Cine Rio. Outra feita o Daniel irmão do Batista e o João Barata e este que vos escreve entramos numa matine para assistir Django não perdoa, mata! Aquele filme deu tanto tiro que até o pano da tela furou. E quando o tiroteio pegou forte e todos estavam  de olho na tela, o Daniel abriu uma lata de Nascau cheia de pinica e  largou lá da última fileira, deu um barulho e um griteiro terrível. Após o pânico cessar e os que se mijaram nas calças já terem se deslocado ao banheiro, de forma despótica e ditatorial, Dourado o temido lanterninha que hoje vive no Porto Blos, colocou toda a turma do Rio Branca para fora. Que injustiça! Outra feita fomos a Hamburgo Velho, no cine Aida na subida da Daltro Filho quem vai para Hospital Regina, seguimos de bicicleta. Na frente do cinema que passaria o filme: O destino do Poseidon amarramos as magrelas numa correntona que o Gilmar Strack conseguiu com seu pai. Após o filme juntamos os trocos entre nove e deu para comprar no Bar Maracanã ali na frente do Aida  duas Guaranás Brahma e uma caixinha de Mentex. Tudo era repartido de forma democrática. Nas sextas-feiras à noite armávamos bolão na cancha da Sociedade Rio Branco, dali saia o jantar, alguns refrigerantes e uma boa gorjeta dos jogadores que era repassada para a mãe comprar o leite, o pão e o salame do dia seguinte.  Havia no mínimo cinco campinhos no Rio Branco, que estavam sempre cheios de gurizada jogando bola. Hoje quantos campos possui o bairro? Concluo: a gente era feliz e não sabia. Craque naquele tempo era um garoto que jogava bola e não usava cachimbo! O bairro mudou, a gente mudou, mas da minha retina  as vezes  fico a procurar pelo menino que fui nas ruas do meu, do seu e do nosso Rio Branco. O pó acumulado nos meus sapatos, neste meu longo caminhar de quase cinco décadas não tiraram do meu ser a capacidade de emocionar-me e dizer: Rio Branco da minha infância – Confesso que vivi!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ORIENTE E 15, EM BRUXAS NÃO ACREDITO, MAS...


O futebol é o esporte mais democrático do planeta, pois tendo uma bola está feito o jogo! Deixando de lado as cartolagens, a corrupção que impera no meio profissional, o futebol moleque dos campinhos da vida, transcendem as esferas do cotidiano e transformam-se em inusitado e quando isso acontece vira poesia. Aliás, a bola e sua magia é capaz de igualar diferenças, interromper guerras e unir povos. O que seria dos domingos a tarde sem futebol. Campo Bom por sinal está caindo de maduro termos um clube amador, disputando o gauchão da categoria. Existe um hiato a ser preenchido; um vazio que dói com a arquibancada vazia, a goleira sem as redes. Não existe nada mais anti-romântico, como dizia a filosofa Laurinha do Carrossel, que domingo sem futebol. Me criei do outro lado do arroio Schmidt e portanto me tornei torcedor do Oriente. A equipe do Morro das Pulgas agregava torcedores do bairro e de outros pontos da cidade. Naquele período para infelicidade dos orientistas, o nosso adversário o 15 de Novembro tinha uma das melhores equipes do Brasil. Se aquela equipe do 15 “Os professores de futebol”com Bilú, Raul, Elucio, Celso Bock, Ismar (o maestro), Naldo, Pulica, Renatinho, Kiko, Ivan, Pombinha, Elton, Dé, Helinho, Popa, Polenta, Claunir, Trott e outros (isso nos anos 60, 70 e parte dos anos 80) se estes senhores que hoje passam dos 50 anos atuassem como profissionais com certeza o 15 ganhava muitos gauchões. Outros tempos... Quando garoto tive o privilégio de vestir a camisa do Oriente e do 15 e muitas histórias a gente vivenciou dos clássicos envolvendo as duas agremiações. Em 1991 já havíamos pendurado a chuteira e passamos junto com o Gilberto Wingert, Zenio Oliveira (já falecido), Remi Cemin “Fritz” (já falecido), Jair Lauser “Jairzinho”, Luis Paulo “Cholim” a comandar os juniores do Oriente. Fazíamos das tripas coração para arcar com as despesas da disputa estadual. Foram bingos, meio-frangos, rifas, "paitrocinio" e outras mágicas. Ali aprendi que sem verba não há verbo. É preciso dinheiro para sonhar com títulos. No mês de junho havíamos empatados com o 15 de Novembro lá no então Estádio dos Eucaliptos, hoje Sady Arnildo Schmidt, numa justa homenagem a este empresário sério, ético e apaixonado por futebol a exemplo de seu filho, Tovar Eliezer Schmidt. Nós estávamos vencendo o clássico por 1 a 0 gol de cabeça do Osmar (da Luz) na goleira da Lebes. Na segunda etapa já finalzinho, o árbitro arrumou uma penalidade máxima contra a gente. Empatamos, mas aquele empate não desceu. Nos preparamos para no final do segundo turno, isso em setembro para dar o troco neles. O técnico do 15 era o falecido João Claudio Gaspar “Careca”, uma figura impar. O Careca era um lapidador de talentos; um baita treinador que revelou muitos jogadores, porém nós que conhecíamos o técnico do 15 que também trabalhara no Oriente (inclusive foi meu técnico em 81 a 84), tinha muitas superstições e uma delas era referente a macumba. Tinha um medo que se pelava. Na terça-feira que antecedia o clássico arquitetamos um plano. Criar um clima de tensão e espalhar no bairro que o Gilberto tinha estado no determinado local e feito um trabalho para amarrar a equipe do 15, principalmente o Banzé o craque dos tricolores. Contamos a um dono de armazém e pedimos segredo, mas ja sabendo que ele trataria de fazer a noticia chegar até ao Careca. Domingo pela manhã eu e o Fritz nos encarregamos de fazer o restante do plano. Dentro do vestiário do 15 espalhamos uma lata de pó pelotense, uma vela acesa daquelas de 30 dias, milho e um boneco com as cores do 15 crivado de alfinetes. Quando nosso co-irmão chegou no Gigante de Campo Bom e se dirigiu ao vestiário, nós de longe só assistíamos o furdunço. O Careca espraguejava, gaguejava, brigava e ameaçava levar a equipe embora. Uma grupo liderado pelo Fritz tratou de tirar o “despacho” e os guris do 15 foram fardar-se. Criamos na semana um clima na imprensa, afirmando que todos os torcedores do 15 eram bem vindos, mas que não nos responsabilizavamos pela segurança dos mesmos. O Gilberto que costumava seguir um conselho que aprendeu com o saudoso Erni Konrtah quando seu diretor no 15, sim porque o Gilberto sagrou-se campão gaúcho tanto no 15 como no Oriente, aliás, não existe nenhum técnico com mais títulos que o velho Gilberto. O conselho era o seguinte: clássico a gente ganha 50% fora do campo durante a semana, trabalhando o psicológico do grupo e outras cositas más. Uma medida tomada pelo Gilberto foi solicitar que dois seguranças impedissem que um diretor conhecido do 15 se deslocasse até o vestiário para cumprimentar o árbitro. (Aqui não) O cartola ficou bravo, resmungou, mas saiu de fininho. A torcida desceu o Morro e empurrou o time. Onde quero chegar? O psicológico é determinante em muitas situações, tanto que o 15 parecia amarrado e seu principal jogador, o Banzé estava apático. Vencemos o clássico com um gol do Serginho, pegou um chute de voleio na goleira do barranco e correu para o abraço. Aquela noite o Rio Branco não dormiu, afinal vencemos o clássico. Quando do gol do Serginho este escriba invadiu o campo e para desespero dos tricolores, fiquei 10 minutos dentro do gramado enlouquecido até que a Brigada Militar gentilmente me convidou a sair. Esfriei o clássico. Naquele domingo frio de setembro de 1991 aprendi uma grande lição com meu irmão Gilberto: futebol tem que estar nas mãos de quem ama o esporte e que não se utiliza dele para ganhar dinheiro. O futebol deve estar nas mãos de quem vibra e conhece os meandros da bola, afinal como dizia Nelson Rodrigues, até para chupar picolé tem que ter paixão.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

AS AVENTURAS EM PORTO ALEGRE



A bucólica paisagem de Morungava é um linimento para a alma. Um por do sol dos mais bonitos do mundo. Os finais de tarde quando o sol como uma abóboda ainda arde dando a nítida impressão de estar pendurado no Itacolomi (*) se faz uma pintura daquelas semelhantes aos grandes gênios. O sol vermelho nas tardes de outono e o vento gelado vindo da praia já dão prenúncios de que as noites invernais estão chegando. E a primavera, as flores da principal estrada, caminho que no passado era utilizado pelos veranistas que rumavam  ao litoral, pois na primavera  as margens desta estrada ficam cheias de flores do campo como um tapete natural a saudar os caminhantes. A beleza de Morungava  é uma terapia, tanto que os carreteiros advindos de Santo Antonio (Monjoleiros ou Dateiros **), descansavam  nos sítios do Morungava. Os índices de depressão, doenças cardíacas são baixíssimos uma vez que o Morungavense não tem a pressa e a competição predatória. Morungava é um lugar para ser feliz, mas falar em Morungava e não falar no seu mais famoso filho, Arcedino Vieira Nunes, codinome Tio Dino é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa, e por falar em Papa a vingança demorou mais veio: a pomposa e arrogante Inglaterra ficou com as ilhas Malvinas (ganhou na mão grande) e los hermanos ficaram com o Vaticano. Tudo resolvido!  Num dos causos de galpão na beira do fogo de chão, tio Dino contou que certa feita juntamente com seu Análio Costa amigo daqueles de unha e carne resolveram seguir para Porto Alegre com o caminhão carregado de verduras  para vender na CEASA, bem como, no banco da frente  uma caixa com 20 quilos de queijo de cabra, produção “by Dino” com o selo de qualidade Made in Morungava. O queijo era comprado por um hotel famoso localizado alí na Alberto Bins na capital. Ao meio dia tio Dino e seu amigo resolveram fazer uma extravagância e foram almoçar num restaurante chique, daqueles que eles cobram até para dar bom dia. Os dois sentaram e como bons morungavense que se adaptam ao local, seguiram a risca a cartilha de primeiro ver e ouvir, falar só o necessário e como dizia a tia Miúda, esposa do velho Dino: “Um burro quieto passa por ladino”. O garçom trouxe o menu e eles não  conheciam  nada dos nomes  das “bóias”. Neste momento sentou-se à mesa ao lado um engravatado da capital com jeitão de doutor ou deputado. Tio Dino que conhece o cego dormindo, o rengo sentado e a cabeça que tem piolho, olhou para Análio e disse: “Vamos ver o que o doutor ai pede e a gente vai na carona”. Dito e feito o engomado chamou o garçom e pediu pato ao molho pardo. Tio Dino estufou o peito e chamou o garçom e pediu pato ao molho pardo. A dupla almoçou e o granfino da capital pediu a sobremesa. Novamente na carona, tio Dino pediu a tal sobremesa. Passado uns dez minutos, o sujeito da capital chamou o garçom e solicitou: “Por favor me tragam um Office boy”.  Tio Dino vestido uma calça de brim coringa, camisa volta ao mundo, estufou o peito  e disse: “Mas Che traz para nós um Office boy”. Neste momento o fino e educado sujeito, ouvindo o pedido da dupla, perguntou: “Quem sabe a gente pede um Office boy para nós três?”. Tio Dino cheio de empáfia afirmou: “Nada disso seu intrometido, tu come o teu Office boy que nós comemos o nosso”.
O tamanho do bicho e o carro velho
Outra feita o velho Dino foi entregar uns móveis dos Schreiber lá na zona sul de Porto Alegre, região lindíssima que fica alí depois do Estádio Beira Rio, local onde serão realizados os jogos da Copa 2014, no outro estádio que é de propriedade da construtora OAS serão realizados apenas os treinos. Entregaram os móveis numa mansão com fundos ao rio Guaíba que não é rio e sim um lago. Após o almoço tio Dino e seu ajudante, um jovem de nome Alcides, filho do seu Otacílio e da dona Preta saíram a caminhar pela beira da paria de Ipanema.  Na caminhada a beira do sol de junho e o frio batendo no peito, a dupla visualizou um pé de bergamota, só que o problema é que havia um muro. Tio Dino  mais ladino que mascate  de campanha e vendedor de cavalo, teve a brilhante  idéia de pular o muro. Como Alcides era mais novo, o velho Dino para não colocar o piá em perigo não se fez de rogado e deu um salto e caiu no pátio. Apavorado, pois caíra dentro de um negócio enorme de alumínio. Do outro lado Alcides pergunta: “Como é que está aí dentro seu Dino?”. E dentro do tal dispositivo que na verdade era uma antena parabólica e que meu velho tio não conhecia, veio a resposta. “Fica bem quietinho  Alcides, vou tentar sair, mas to meio desnorteado, porque se o cachorro desta gente regular com o tamanho do prato estou morto ala pucha!” sentenciou  tio Dino.  Um belo dia tio Dino que é mais vivo que cruzeira esquentando sol em taipa de açude foi visitar seu amigo Pedro “leiteiro” em Glorinha. Os dois nutriam uma relação permeada pelos altos e baixos, uma vez que leiteiro era do tipo gavola e só o que lhe pertencia era bom. Se encontram depois de muito tempo e, a certa altura da conversa, o Pedro leiteiro, olha bem dentro dos grãos dos olhos do tio Dino e lasca:
- E aí, Arcedino, com quantos alqueires está a sua fazenda?
- Já tá com quase cem alqueires e a sua? Retruca tio Dino.
- Só pra você ter uma idéia, pela manhã eu saio de casa, ligo meu Jeep e ao meio-dia ainda não percorri nem a metade da minha propriedade.”, cutuca Pedro Leiteiro.
- Entendo... eu também já tive um carro desses! É uma merda vive sempre andando devagar e estragando...”, detonou tio Dino. 100% Morungava – Tem que ter concurso!