segunda-feira, 29 de abril de 2013

ORIENTE E 15, EM BRUXAS NÃO ACREDITO, MAS...


O futebol é o esporte mais democrático do planeta, pois tendo uma bola está feito o jogo! Deixando de lado as cartolagens, a corrupção que impera no meio profissional, o futebol moleque dos campinhos da vida, transcendem as esferas do cotidiano e transformam-se em inusitado e quando isso acontece vira poesia. Aliás, a bola e sua magia é capaz de igualar diferenças, interromper guerras e unir povos. O que seria dos domingos a tarde sem futebol. Campo Bom por sinal está caindo de maduro termos um clube amador, disputando o gauchão da categoria. Existe um hiato a ser preenchido; um vazio que dói com a arquibancada vazia, a goleira sem as redes. Não existe nada mais anti-romântico, como dizia a filosofa Laurinha do Carrossel, que domingo sem futebol. Me criei do outro lado do arroio Schmidt e portanto me tornei torcedor do Oriente. A equipe do Morro das Pulgas agregava torcedores do bairro e de outros pontos da cidade. Naquele período para infelicidade dos orientistas, o nosso adversário o 15 de Novembro tinha uma das melhores equipes do Brasil. Se aquela equipe do 15 “Os professores de futebol”com Bilú, Raul, Elucio, Celso Bock, Ismar (o maestro), Naldo, Pulica, Renatinho, Kiko, Ivan, Pombinha, Elton, Dé, Helinho, Popa, Polenta, Claunir, Trott e outros (isso nos anos 60, 70 e parte dos anos 80) se estes senhores que hoje passam dos 50 anos atuassem como profissionais com certeza o 15 ganhava muitos gauchões. Outros tempos... Quando garoto tive o privilégio de vestir a camisa do Oriente e do 15 e muitas histórias a gente vivenciou dos clássicos envolvendo as duas agremiações. Em 1991 já havíamos pendurado a chuteira e passamos junto com o Gilberto Wingert, Zenio Oliveira (já falecido), Remi Cemin “Fritz” (já falecido), Jair Lauser “Jairzinho”, Luis Paulo “Cholim” a comandar os juniores do Oriente. Fazíamos das tripas coração para arcar com as despesas da disputa estadual. Foram bingos, meio-frangos, rifas, "paitrocinio" e outras mágicas. Ali aprendi que sem verba não há verbo. É preciso dinheiro para sonhar com títulos. No mês de junho havíamos empatados com o 15 de Novembro lá no então Estádio dos Eucaliptos, hoje Sady Arnildo Schmidt, numa justa homenagem a este empresário sério, ético e apaixonado por futebol a exemplo de seu filho, Tovar Eliezer Schmidt. Nós estávamos vencendo o clássico por 1 a 0 gol de cabeça do Osmar (da Luz) na goleira da Lebes. Na segunda etapa já finalzinho, o árbitro arrumou uma penalidade máxima contra a gente. Empatamos, mas aquele empate não desceu. Nos preparamos para no final do segundo turno, isso em setembro para dar o troco neles. O técnico do 15 era o falecido João Claudio Gaspar “Careca”, uma figura impar. O Careca era um lapidador de talentos; um baita treinador que revelou muitos jogadores, porém nós que conhecíamos o técnico do 15 que também trabalhara no Oriente (inclusive foi meu técnico em 81 a 84), tinha muitas superstições e uma delas era referente a macumba. Tinha um medo que se pelava. Na terça-feira que antecedia o clássico arquitetamos um plano. Criar um clima de tensão e espalhar no bairro que o Gilberto tinha estado no determinado local e feito um trabalho para amarrar a equipe do 15, principalmente o Banzé o craque dos tricolores. Contamos a um dono de armazém e pedimos segredo, mas ja sabendo que ele trataria de fazer a noticia chegar até ao Careca. Domingo pela manhã eu e o Fritz nos encarregamos de fazer o restante do plano. Dentro do vestiário do 15 espalhamos uma lata de pó pelotense, uma vela acesa daquelas de 30 dias, milho e um boneco com as cores do 15 crivado de alfinetes. Quando nosso co-irmão chegou no Gigante de Campo Bom e se dirigiu ao vestiário, nós de longe só assistíamos o furdunço. O Careca espraguejava, gaguejava, brigava e ameaçava levar a equipe embora. Uma grupo liderado pelo Fritz tratou de tirar o “despacho” e os guris do 15 foram fardar-se. Criamos na semana um clima na imprensa, afirmando que todos os torcedores do 15 eram bem vindos, mas que não nos responsabilizavamos pela segurança dos mesmos. O Gilberto que costumava seguir um conselho que aprendeu com o saudoso Erni Konrtah quando seu diretor no 15, sim porque o Gilberto sagrou-se campão gaúcho tanto no 15 como no Oriente, aliás, não existe nenhum técnico com mais títulos que o velho Gilberto. O conselho era o seguinte: clássico a gente ganha 50% fora do campo durante a semana, trabalhando o psicológico do grupo e outras cositas más. Uma medida tomada pelo Gilberto foi solicitar que dois seguranças impedissem que um diretor conhecido do 15 se deslocasse até o vestiário para cumprimentar o árbitro. (Aqui não) O cartola ficou bravo, resmungou, mas saiu de fininho. A torcida desceu o Morro e empurrou o time. Onde quero chegar? O psicológico é determinante em muitas situações, tanto que o 15 parecia amarrado e seu principal jogador, o Banzé estava apático. Vencemos o clássico com um gol do Serginho, pegou um chute de voleio na goleira do barranco e correu para o abraço. Aquela noite o Rio Branco não dormiu, afinal vencemos o clássico. Quando do gol do Serginho este escriba invadiu o campo e para desespero dos tricolores, fiquei 10 minutos dentro do gramado enlouquecido até que a Brigada Militar gentilmente me convidou a sair. Esfriei o clássico. Naquele domingo frio de setembro de 1991 aprendi uma grande lição com meu irmão Gilberto: futebol tem que estar nas mãos de quem ama o esporte e que não se utiliza dele para ganhar dinheiro. O futebol deve estar nas mãos de quem vibra e conhece os meandros da bola, afinal como dizia Nelson Rodrigues, até para chupar picolé tem que ter paixão.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

AS AVENTURAS EM PORTO ALEGRE



A bucólica paisagem de Morungava é um linimento para a alma. Um por do sol dos mais bonitos do mundo. Os finais de tarde quando o sol como uma abóboda ainda arde dando a nítida impressão de estar pendurado no Itacolomi (*) se faz uma pintura daquelas semelhantes aos grandes gênios. O sol vermelho nas tardes de outono e o vento gelado vindo da praia já dão prenúncios de que as noites invernais estão chegando. E a primavera, as flores da principal estrada, caminho que no passado era utilizado pelos veranistas que rumavam  ao litoral, pois na primavera  as margens desta estrada ficam cheias de flores do campo como um tapete natural a saudar os caminhantes. A beleza de Morungava  é uma terapia, tanto que os carreteiros advindos de Santo Antonio (Monjoleiros ou Dateiros **), descansavam  nos sítios do Morungava. Os índices de depressão, doenças cardíacas são baixíssimos uma vez que o Morungavense não tem a pressa e a competição predatória. Morungava é um lugar para ser feliz, mas falar em Morungava e não falar no seu mais famoso filho, Arcedino Vieira Nunes, codinome Tio Dino é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa, e por falar em Papa a vingança demorou mais veio: a pomposa e arrogante Inglaterra ficou com as ilhas Malvinas (ganhou na mão grande) e los hermanos ficaram com o Vaticano. Tudo resolvido!  Num dos causos de galpão na beira do fogo de chão, tio Dino contou que certa feita juntamente com seu Análio Costa amigo daqueles de unha e carne resolveram seguir para Porto Alegre com o caminhão carregado de verduras  para vender na CEASA, bem como, no banco da frente  uma caixa com 20 quilos de queijo de cabra, produção “by Dino” com o selo de qualidade Made in Morungava. O queijo era comprado por um hotel famoso localizado alí na Alberto Bins na capital. Ao meio dia tio Dino e seu amigo resolveram fazer uma extravagância e foram almoçar num restaurante chique, daqueles que eles cobram até para dar bom dia. Os dois sentaram e como bons morungavense que se adaptam ao local, seguiram a risca a cartilha de primeiro ver e ouvir, falar só o necessário e como dizia a tia Miúda, esposa do velho Dino: “Um burro quieto passa por ladino”. O garçom trouxe o menu e eles não  conheciam  nada dos nomes  das “bóias”. Neste momento sentou-se à mesa ao lado um engravatado da capital com jeitão de doutor ou deputado. Tio Dino que conhece o cego dormindo, o rengo sentado e a cabeça que tem piolho, olhou para Análio e disse: “Vamos ver o que o doutor ai pede e a gente vai na carona”. Dito e feito o engomado chamou o garçom e pediu pato ao molho pardo. Tio Dino estufou o peito e chamou o garçom e pediu pato ao molho pardo. A dupla almoçou e o granfino da capital pediu a sobremesa. Novamente na carona, tio Dino pediu a tal sobremesa. Passado uns dez minutos, o sujeito da capital chamou o garçom e solicitou: “Por favor me tragam um Office boy”.  Tio Dino vestido uma calça de brim coringa, camisa volta ao mundo, estufou o peito  e disse: “Mas Che traz para nós um Office boy”. Neste momento o fino e educado sujeito, ouvindo o pedido da dupla, perguntou: “Quem sabe a gente pede um Office boy para nós três?”. Tio Dino cheio de empáfia afirmou: “Nada disso seu intrometido, tu come o teu Office boy que nós comemos o nosso”.
O tamanho do bicho e o carro velho
Outra feita o velho Dino foi entregar uns móveis dos Schreiber lá na zona sul de Porto Alegre, região lindíssima que fica alí depois do Estádio Beira Rio, local onde serão realizados os jogos da Copa 2014, no outro estádio que é de propriedade da construtora OAS serão realizados apenas os treinos. Entregaram os móveis numa mansão com fundos ao rio Guaíba que não é rio e sim um lago. Após o almoço tio Dino e seu ajudante, um jovem de nome Alcides, filho do seu Otacílio e da dona Preta saíram a caminhar pela beira da paria de Ipanema.  Na caminhada a beira do sol de junho e o frio batendo no peito, a dupla visualizou um pé de bergamota, só que o problema é que havia um muro. Tio Dino  mais ladino que mascate  de campanha e vendedor de cavalo, teve a brilhante  idéia de pular o muro. Como Alcides era mais novo, o velho Dino para não colocar o piá em perigo não se fez de rogado e deu um salto e caiu no pátio. Apavorado, pois caíra dentro de um negócio enorme de alumínio. Do outro lado Alcides pergunta: “Como é que está aí dentro seu Dino?”. E dentro do tal dispositivo que na verdade era uma antena parabólica e que meu velho tio não conhecia, veio a resposta. “Fica bem quietinho  Alcides, vou tentar sair, mas to meio desnorteado, porque se o cachorro desta gente regular com o tamanho do prato estou morto ala pucha!” sentenciou  tio Dino.  Um belo dia tio Dino que é mais vivo que cruzeira esquentando sol em taipa de açude foi visitar seu amigo Pedro “leiteiro” em Glorinha. Os dois nutriam uma relação permeada pelos altos e baixos, uma vez que leiteiro era do tipo gavola e só o que lhe pertencia era bom. Se encontram depois de muito tempo e, a certa altura da conversa, o Pedro leiteiro, olha bem dentro dos grãos dos olhos do tio Dino e lasca:
- E aí, Arcedino, com quantos alqueires está a sua fazenda?
- Já tá com quase cem alqueires e a sua? Retruca tio Dino.
- Só pra você ter uma idéia, pela manhã eu saio de casa, ligo meu Jeep e ao meio-dia ainda não percorri nem a metade da minha propriedade.”, cutuca Pedro Leiteiro.
- Entendo... eu também já tive um carro desses! É uma merda vive sempre andando devagar e estragando...”, detonou tio Dino. 100% Morungava – Tem que ter concurso!

quinta-feira, 21 de março de 2013

EDUCAÇÃO: O X DA QUESTÃO

Vivemos momentos de incertezas em todos os sentidos com uma grande inversão de valores impostas pela sociedade extremamente consumista na qual estamos inseridos. Um dos grandes problemas da sociedade dita moderna é a questão violência que tem sua raiz em muitos aspectos, mas o principal é a falta de esperança que campeia solta. Tomando como base nossa região; o Vale do Sinos, ou Vale do Sapato, o êxodo rural nos anos 70, a vinda de pessoas de cidades essencialmente agrícola para se tornar mão de obra na industria de calçados, gerou problemas sociais, pois as cidades apenas receberam a mão de obra, mas não cuidaram de questões basilares como programas habitacionais, creches, escolas, transporte, médico e qualificação de mão de obra. Na região houve uma  favelização com o surgimento dos  bolsões de miséria. Houve ocupação de banhados, áreas de risco em encostas de morros. É a luta pela sobrevivência. O tétrico quadro remonta o gaúcho que outrora  em cima da carroça  conduzia o cavalo lá no seu torrão natal. Hoje na cidade o papel se inverteu e é o desempregado sem qualificação que faz papel do cavalo, puxando a carroça de papelão e no final do dia afoga as magoas no boteco da vila, enquanto a noite a família se educa assistindo Big Brother.  Mesmo com o avanços dos últimos 12 anos que coloca o Brasil num patamar de crescimento e desenvolvimento humano, a violência assusta. Campo Bom, por exemplo, os constantes assaltos ao comércio e destaco bairros como – Rio Branco, Santa Lúcia, Jardim do Sol, Santo Antônio, Morada do Sol preocupa e carece de ações mais fortes por parte da Brigada Militar com a presença mais constante nestes bairros através do patrulhamento veicular, pois a presença visível da BM inibe a ação destes delinqüentes que na maioria das vezes praticam tais atos para sustentar o vicio do crack (uma epidemia que está formando um exercito de zumbis) Poderíamos citar ações   de êxito contra a violência como o Tolerância Zero implantado em Nova Iorque pelo prefeito Rudolph Giuliani, mas nós vivemos outra realidade. Precisamos em conjunto com debate profundo  da sociedade organizada buscar equacionar  este caos que vivemos, onde as pessoas de bem estão atrás das grades e cercas elétricas, enquanto a bandidagem está solta. Como jornalista penso que a temática violência é ampla e na sua essência está também à desestruturação da família e a falta de projetos e políticas fortes voltadas à educação. Uma educação libertária, tornando o homem sujeito da história; protagonista do meio em que vive é um caminho de vital importância e talvez o mais barato aos cofres públicos. Cada escola equipada, cada aumento de salário aos professores, cada aluno dentro da sala de aula é um presídio a menos a ser construído e parafraseando o sábio Confúcio: educa a criança de hoje para não ter que punir o adulto de amanhã. E como afirmava Leonel Brizola: a educação liberta, a educação transforma e ajuda na construção do novo homem. Não sei se disse, mas tentei.
*Jair J. Wingert – jornalista e vereador em Campo Bom

terça-feira, 12 de março de 2013

ÓRFÃOS DE PAIS VIVOS

O que está acontecendo com os pais de hoje? Onde eles estão? Posso afirmar onde não estão. Eles não estão nas reuniões das escolas, não estão na consulta ao pediatra, eles não estão nas apresentações de filhos nas escolas. Nestes locais você vê apenas a presenças das mães, mas onde estão os pais? A família está doente e em consequência geramos uma sociedade doente e os refelxos estão ai com alarmante índice de violência. Precisa-se de pais que compartilhem amor, sabedoria e tempo. Os pais precisam dedicar tempo ao serviço doméstico, ao banho, compras em supermercado ou até um passeio no Shopping ali em Novo Hamburgo, mesmo que seja apenas para *“vitriniar”.
Nós pais precisamos dedicar tempo para estudar a palavra de Deus e orar com nossos filhos. Necessitamos torcer por eles em suas partidas de futebol ou até mesmo fazer um piquenique no Parcão Arno Kunz, com bolachas, limonada tudo disposto em cima de uma toalha embaixo de uma frondosa árvore “Mamica de cadela”. Como diz uma propaganda antiga, não basta ser pai tem que participar. Hoje existe muita solidão dentro dos lares. Familias inteiras que não dialogam, não se tocam, não se abraçam. A internet, a televisão são responsáveis pelos danos irreparáveis no seio da família. Há filhos no século 21 que são órfãos de pais vivos. Pais que esquecem que o maior tesouro são os filhos. Passam a vida inteira buscando riquezas e deixam a família de lado. Não participam das pequenas coisas do dia a dia, como: passear de bicicleta pela ciclovia, ou buscar o boletim na escola. Há filhos que para ver o pai precisam marcar hora. Muitas vezes um abraço, um riso, um chute numa bola, a compra de uma revista ou um guaraná mudam vidas, mudam histórias e ajudam a construir o caráter dos cidadãos de amanhã. Um erro dos pais é acreditar que a escola via educar seus filhos. A escola é uma ajudadora, facilitadora, mas a escola e a igreja começam dentro dos lares.
O que seu filho vai lembrar de você quando crescer?
Quais as lembranças seus filhos terão de você? Eu sei que algum dia quando as meninas partirem haverá bastante sorvete na geladeira para mim e para a Lídia. O carro (Bat Móvel) vai estar sempre limpo. Não precisarei ficar pela casa toda apagando as luzes. Nao vou tropeçar em brinquedos espalhados pelo chão. As meias estarão milagrosamente em pares certos e as chaves da casa estarão no lugar certo.... Quando a Vi e Lari se forem não terei mais noite tendo que administrar Awamis ou Mitocortem 20 mg para as crise de rinite, ou quem sabe ainda tendo que acordar o Dr. Luiz Möeller às 3 da madrugada para solicitar auxilio em função das dores inerentes aos recém nascido. Quando as meninas partirem não mais vamos ouvir o barulho do toc toc dos pezinhos pelo corredor em disparada rumo a nossa cama nas manhã frias de domingo e se aconchegando no meio do papai e da mamãe. Não mais beijos molhados, misturados com mingau de aveia. Não mais joelhos a serem curados com mertiolate (aiiiiii.... assopra pai). Nunca mais haverá toalhas molhadas em cima da cama. Não haverá mais reclamações para lavar a louça, nem para secar o banheiro. Depois que elas partirem não mais terei que jogar botão (preparada? Chute..... Golaço de Alex matador....). Nunca mais terei que montar castelinhos de madeira ou jogar dominó. Quando elas partirem não haverá mais os cartões feitos com lápis de cera e com um coração dizendo”Eu te amo, feliz dia dos pais”. A porta da geladeira estará limpa de desenhos e frase bíblicas. E eu estarei só, tristemente só. E só de pensar neste momento me arrepia e como pai busco no âmago do meu ser forças para ser um pai melhor e presente na vida das minhas meninas. Os pais são referência para os filhos e cumprem o papel de Deus neste planeta com relação aos cuidados da família. A família brasileira precisa de atenção, de projetos e amparo. O sábio Confúcio disse: educa a criança de hoje para não ter que punir o adulto de amanhã. Não sei se disse, mas tentei.
* Vitriniar vem do morungavês e quer dizer: olhar, namorar, observar, cubar as vitrines da lojas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

TIO DINO: O ESTRATEGISTA

Durante quase três décadas tio Dino levava  frutas e verduras para a Ceasa em Porto Alegre. Como num ritual pela madrugada  o caminhão Ford seguia pela RS 020 carregado de víveres. Alface, cenoura, couve, espinafre, melancia, açúcar mascavo e queijo de cabra que era vendido em um hotel famoso da capital. Por sinal  as terras de Morungava são das melhores, porém já ocasionaram problemas para meu tio. Para ter uma idéia a força da terra, as alfaces plantadas no sitio do velho Arcedino eram grandes, mas bota grande nisso, quando a tia Miúda estava de cócoras limpando os canteiros, tio Dino não conseguia visualizá-la pois a mesma ficava encoberta pelas folhas das alfaces. Uma vez tio Dino  foi chamado na Prefeitura tudo porque plantou uma roça de aipim perto por demais da cerca da estrada. As raízes  adentraram no trecho da estrada e levantaram um negócio que mais parecia um quebra molas. E segundo tio Dino a raiz problema ainda era uma das menores, ainda bem.  Após descarregar na Ceasa, meu velho tio seguia sua rotina, por vezes comprava roupas na Zamal ou na Marinha Magazine e não raro se deslocava até o Beira Rio (O estádio da Copa do Mundo 2014 no Rio Grande do Sul e que por sinal é de propriedade do Sport Club Internacional desde 1969), onde assistia os treinos do colorado. Perto do meio dia tio Dino almoçava em um restaurante de um posto de gasolina. Certa feita entrou no restaurante um grupo de cinco motoqueiros, daqueles estilo dos filmes do Mad Max. Jaquetas de couro, barbudos, correntes no pescoço e luvas. Os atrevidos vinham  da região de Guaíba e eram os caras. Tio Dino tranquilamente almoçava quando um dos barbudos se encarnou no velho e deu um tapa no chapéu do tio que estava ao lado da mesa. Já o segundo motoqueiro, passou a mão copo de suco do velho morungavense e virou no chão e um terceiro motoqueiro mais atrevido apagou o charuto no bife do tio Dino. O velho Dino era mais bravo que marimbondo e não enjeitava uma peleia, porém se tem algo que todo morungavense carrega consigo é que morrer todo mundo vai um dia, mas não é preciso apressar o dia. O velho Dino  como um bom estrategista notou que estava em desvantagem e resolveu ficar calado. Calmamente levantou sem palavras e pagou a conta. Ao sair os motoqueiros juntaram duas mesas e cantando vitória afirmaram para o garçom: Tu viu aquele velhote que saiu? Ele não é homem mesmo, a gente  tomou o suco dele, derrubou o chapéu no chão e apagou o charuto no prato dele. O cara não é bom mesmo, do contrário reagiria?” questionou o barbudo. O garçom sorrindo disse: “É verdade ele não é bom mesmo. Não é  nem bom motorista mesmo, porque olha só ele acabou de passar de caminhão por cima de cinco motos ali no estacionamento e foi embora”, avisou o garçom.

A mula morta

Um dia tio Dino atravessou por sérios problemas financeiros e resolveu vendeu uma mula para outro colono do Mato Fino por R$ 800,00, que concordou em receber a mula e no dia seguinte. Entretanto, no dia seguinte ele chegou e disse: - Cumpadre Dino me desculpa mas a mula morreu. - Morreu? - Morreu. - Então me devolve o dinheiro. - Ih... já gastei. - Tudo? - Tudinho. - Então me traz a mula. - Morta? - É, chê, ela num morreu? - Morreu. Mais o que  você vai fazer com uma mula morta? - Vou rifá? - Rifá? - É, chê! - A mula morta? Quem vai querer? - É só não falar que ela morreu. - Então tá Então. Um mês depois os dois se encontram e tio Dino pergunta ao amigo que vendeu a mula: “Ô Cumpadi, e a mula morta? - Rifei. Vendi 500 bilhetes a 2 real cada. Faturei 998 real. - Eita! E ninguém reclamou? - Só o homem ali de Santa Cristina do Pinhal que ganhou a rifa. - E o que  você fez? – Perguntou tio Dino. “Ué devolvi os R$ 2,00 real pra ele”, falou o colono – 100% Morungava – Tem que ter concurso!.


Para pensar:*Papai Noel e Roberto Carlos são os únicos que só trabalham no final do ano.
*Duvido que você nunca lambeu a tampinha do Danone.



Leituras da Madrugada:
Saudade é ter sede com o coração

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

TIO DINO: O PENSADOR DE MORUNGAVA

Tio Dino é uma figura impar, na verdade é um sábio e por falar em sábio, nosso Blog também é cultura ( as vezes inútil), mas é. Responda rapidamente qual foi a ceÉlebre frase de Sócrates? Você sabe? .... Se acertar terá como brinde: uma passagem para conhecer Morungava. A resposta está no final da crônica (mas não vale olhar antes).
Nas minhas introspecções adorava ficar ouvindo tio Dino nos finais de tarde após descarregar a carreta cheia de pasto e colocar os animais nas estrebarias, ele sentava como num ritual dos velhos tauras do pampa, sorvia o mate e por vezes seu olhar se perdia no infinito a fitar o sol vermelho que contrastava no horizonte, pendurado como num quadro de Picasso e lá no fundão perto da lagoa, os sábias como numa sinfonia wagneriana saudavam o término de mais um dia. Meu tio sorvia o mate e eu sorvia suas palavras sábias, aliás, coisas profundas como por exemplo: “O problema de morar sozinho é que sempre é a tua vez de lavar louça”, “No Líbano os livros são lidos de traz para frente, talvez por isso é que Agatha Christie não vende nada”, “Quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu”, “Se andar fosse bom para saúde o carteiro seria imortal”, “ Duvido quem nunca lambeu a tampinha do danone”, esta aqui é algo de parar e pensar na magnitude da linha filosófica e pragmática do pensamento cartesiano: “Nunca desista dos seus sonhos, senão encontrar numa padaria procure em outra”, “Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais e eles cavam... Não é bonito nem poético, mas é profundo”, “Não é hilário, o padre hilário perder o escapulário?”, “Se a antártica é lá embaixo, lá em cima ao invés de pólo norte porque não chamamos de Polar, afinal é daqui e é nossa”.  Grande parte de meus conhecimentos e formação filosóficas mais sérias e contundentes, aprendi sentado aos pés do tio Dino junto ao galpão de santa-fé no Morungava, meu velho pago querido. Arcedino velho também era um poeta e um dia cheio de inspiração se aproximou da tia Miúda com olhar aquilineo (esta ai é boa né? Hoje eu estou me puxando) e enquanto nossa  querida tia  preparava broas de polvilho, tio Dino pensou alto, alías, ele era um erudito que mesmo sem ter cursado uma faculdade na vida foi doutor. Tio Dino quando se calava falava mais que um pensador, mas desta feita ele abriu o peito e disse: “Desde que tu aqui chegaste trouxeste luz e encanto na minha vida. As noites de inverno da minha existência terminaram desde a tua chegada. A primavera tem mais  magias que tua luminosidade radiante. A vida nunca mais foi a mesma desde nosso encontro. Decididamente iluminaste meu mundo”, quando  a tia Miúda ouviu a frase romântica que lembrava um poeta, estilo Borges ou quem sabe um Vinicius de Moraes virou para abraçar seu amado, já mais derretida que as broas que ela preparava foi aí que tio Dino concluiu a frase antologicamente poética: “Eu te amo AES Sul” Parece que o velho Dino dormiu três noites no sofá.

Freud Explica...
Enquanto isso no consultório do Dr. Alizandro psiquiatra renomado do Morungava  adentra um “paciente” se arrastando com algo na boca. E o Dr. Alizandro Cresse, olhando por cima dos óculos, coçando o cavanhaque estilo Sigmund Freud e diz com com sua sapiência :  Ah, olha quem veio aqui? É um gatinho? O homem rasteja para outro canto. O médico o segue: - Um cachorro? Ele rasteja até embaixo da mesa do médico e coloca a mão sob o computador e vira-se para um buraquinho no chão puxando um fio. O médico então senta-se na sua poltrona e diz: - Ok, acho que realmente é um gato. Quer conversar  sobre isso? O “paciente” tira da boca um rolo de fita isolante e diz:- Ei doutor, ou o senhor me deixa em paz ou não vou mais instalar a internet aqui ...”  Tem que ter concurso – 100% Morungava
Resposta da Pergunta: A celebre frase de Sócrates sabe qual foi? Vai lá  “Passa a bola Casagrande”...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O PODER DO BEIJO

Dom Ramon, conhecido como seu Madruga antes de ser famoso morou no Morungava e foi vizinho do sítio do Tio Dino.
Nos anos 70 final o Brasil vivia o grande milagre, construção da Transamazônica, éramos tri no México e a “dita” dura continuava a todo vapor com Emilio Garrastazu Médici, abro um parêntese, o Juca Chaves tecia comentários contra  o regime e fazia piadas do “presidente ditador”. Juquinha fazia um show em São Paulo e avisaram. “Olha Juca o homem está na cidade e vai vir assistir o teu show, por favor, (o homem era o próprio Médici). Os produtores do evento  alertaram para Juca não fizesse piadas contra o regime para evitar complicações. O show estava quase no final e como diz o Tio Dino a gente perde o amigo, mas não perde a piada e com maior calma Juquinha pergunta para a platéia: “Você sabe como  se faz para saber o tamanho de um burro?” questiona o menestrel. De pronto o público responde não e Juquinha olhando bem para a primeira fileira onde está sentado o “homem” e responde: “É fácil,  medisse da cabeça aos pés”. Resultado  Juquinha teve que dar explicações no DOI/CODI, alias este mesmo órgão que torturou e matou o jornalista Wladimir Herzog e Marcelo Rubens Paiva. No Rio Grande do Sul, O sargento Raymundo aparecia morto com as mãos amarradas no Guaiba e no teatro de Arena Jairo de Andrade encenava Mockipot e fazia a juventude pensar e sonhar, já no mundo da bola Falcão e Figueroa faziam e aconteciam, Hermes Aquino apresentava a nuvem passageira e os Almodengas atacavam com Sombra Fresca e Rock no Quintal “Quero sentir o sol batendo nas minhas pernas. Minha roupa. Eu quero ver a cor do céu ao natural. Eu quero um beijo que não seja de alumínio. E os edifícios longe das bananas do quintal”  e o professor Fogaça escreveu Vento Negro.  E em Morungava a rotina continuava, os bois no campo, as vacas dando leite, galinhas comendo milho... Tio Dino continuava comandando a cidade e dando as cartas.  Morungava  é um local paradisíaco com belas fontes de água, cascatas, sítios e um povo hospitaleiro uma barbaridade, alíás, as cidades ali ao redor – Gravatai, Alvorada, Cachoeirinha, faço uma saudação ao Marcos leitor assíduo do nosso Blog e amigo do Celso Montauri Ferreira de Campo Bom, Glorinha e Taquara fazem parte da Grande Morungava. No nosso recanto onde a natureza foi morar seguidamente um grupo de motoqueiros vindo de Porto Alegre passava e comboio. Jaquetas de couro, barbudos pareciam personagens do filme Mad Max. O ronco das motos assustava os  moradores e os animais, mas fazia parte porque eles traziam divisas turísticas uma vez que ao meio almoçavam no restaurante do Antonio “Porão “ Pohren que ficava as margens da RS 20. Um determinado dia vinha pela estrada uma caravana de motociclistas fortes, bigodudos em suas poderosas motos, quando de repente eles vêem uma garota a ponto de saltar de uma ponte a um rio.  Eles param e o seu líder - particularmente corpulento e de aspecto rude - salta, se dirige a ela e pergunta:  “ Que absurdo você está fazendo? ” Vou me suicidar” - Responde suavemente a delicada garota com a voz cadenciada e ameaçando pular. O motociclista pensa por alguns segundos e finalmente diz:  “Bom, antes de saltar por que não me dá um beijo?” Ela acena com a cabeça, bota de lado os cabelos compridos encaracolados e dá um beijo longo e apaixonado na boca do motociclista parrudão. Depois desta intensa experiência, a gangue de motoqueiros aplaude, o líder recupera o fôlego, alisa a barba e admite: “Este foi o melhor beijo que me deram na vida”, disse a garota. O motoqueiro todo contente olhando para os amigos diz para a jovem: “ É um talento que se perderá caso você se suicide. Por que quer morrer?” E ela olhando para ele afirma: “Meus pais não gostam que eu me vista de mulher!!!”  (Parece que o caso terminou classificado como homicídio e não suicídio) Tem que ter concurso – 100% Morungava.