segunda-feira, 18 de julho de 2011
TIO DINO: UM GAUDÉRIO NO RIO
Lá pelo final dos anos 70, inicio dos anos 80 com o inicio da Abertura Política, lenta, “segura” e gradual, o país fervilhava cultural e politicamente com ampla discussão nas escolas, associações de bairro, nos partidos políticos. No cenário nacional Brizola perdia o PTB para Ivete Vargas, mas o caudilho dos pampas, o homem que sempre defendeu a educação como base para alavancar o desenvolvimento do Brasil, criou o PDT, candidato no Rio de Janeiro venceu ao governo do Estado mesmo com uma tentativa de golpe da famigerada rede de TV em parceria com a Proconsult. Na música Chico Buarque continuava mandado seus recados subliminares, já Paulo Ricardo do RPM (Revoluções Por Minuto) anunciava que “havia alguma coisa errada com o rei” ou então falava muito na Rádio Pirata. Em Campo Bom Fips Schneider fazia um governo onde a cidade crescia movida pela senda de progresso advindo da pujança das exportações e assim surgia a primeira Ciclovia da América Latina em nossa cidade. No Alto Paulista em 1979, Sérgio Gayger apoiado e orientado pelo professor Jairo de Andrade; fundador do Teatro de Arena nos Alto da Borges em Porto Alegre; berço de resistência política e cultural criam em Campo Bom a primeira Associação de Moradores de nossa cidade. Já no Morungava a vida seguia seu ritual normal, as vacas dando leite, carretas carregando pasto, flores do campo enfeitavam a beira da estrada, exalando um suave perfume. A cada por de sol um cartão postal e não obstante um colono queimava uma coivara; prática hoje que a gente sabe que é deplorável, pois as queimadas matam e roubam os nutrientes do solo. Nas tardes de inverno nada melhor que deliciar-se com uma bergamota ou então comer uma laranja do céu apanhada num sítio abandonado. Não raro ao subir na laranjeira vocês se deparava a centímetros de uma “cachopa” de marimbondos caboclos; aqueles amarelos e aí só uma saída estratégica para escapar dos ferrões. Neste período de efervescência política, Tio Dino para desespero da Tia Miúda resolveu participar de uma reunião organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais. O Congresso aconteceu no Rio de Janeiro e lá nas reuniões, Tio Dino fez amizade com um colono mineiro que veio para o encontro em sua Scânia. Numa das tardes livres, Tio Dino pediu o caminhão emprestado ao amigo mineiro e saiu para conhecer a Cidade Maravilhosa que na época bala perdida só a que caia dos bolsos das crianças ou dos velhos. O velho Arcedino estava comendo no balcão de um restaurante de estrada próximo a tal lagoa Rodrigo de Freitas, um lagozinho que não chega nem aos pés da Lagoa dos Patos, muito menos da dos Schreiber ali no Morungava. Não demorou muito entram três motoqueiros cariocas, tipo "Abutres" (aqueles caras que vestem roupas de couro preto, cheias de coisas cromadas e que gostam de mostrar sua força quando estão em bando). O primeiro, parecia que fazia parte dos filmes de Mad Max vai até o Tio Dino, apaga o cigarro em cima do bife dele e vai sentar na ponta do balcão. O segundo vai até o Tio que já estava ficando bravo cospe no copo dele e vai sentar na outra ponta do balcão. O terceiro vira o prato do Tio Dino e também vai sentar na outra ponta do balcão. Sem uma palavra de protesto, como todo bom morungavense que come o mingau pelas beiras e sabe que o pássaro madrugador come as melhores minhocas, Tio Dino levanta-se, põe o chapéu e vai embora. Depois de um tempo, um dos motoqueiros diz ao garçom: - Esse gaúcho não era homem! E o garçom meio que sorrindo retruca: - Nem bom motorista... Acabou de passar, com o SCANIA dele, em cima de três motos ali no estacionamento!!! EITA!!! TE FRESQUEIA ANIMAL !!!!! Mas bah tchê!!! Tem que ter concurso – 100% Morungava
quinta-feira, 14 de julho de 2011
MORUNGAVA: GUERRA & PAZ
Numa de minhas recentes crônicas abordei as festas que são realizadas lá no Morungava e quando as pessoas citam as festinhas que são feitas por aqui fico com pena dos viventes. Para começar as festas lá na minha terra agora são apenas sete dias, mas bem antigamente eram 20 dias de puro divertimento. Para ter uma idéia para comemorar uma eleição municipal a gente fez aquela festa que citei outro dia. Foram 10 bois, 17 ovelhas, 5 búfalos e 500 frangos, fora os 3 mil quilos de salsichão para o pessoal aperitivar. Foi um troço por demais macanudo! Fazer a festa não é difícil, o brabo é operacionalizar, ou seja, organizar a logística do negócio e não deu outra chamaram Tio Dino que cuidou dos detalhes com extrema maestria. Para ter uma idéia os espetos tudo de madeira foram retirados de um mato de eucalipto que depois no local foram construídas 190 casas populares (Minha Casa Minha Vida) Num total de 5. 423 espetos de madeira. Tio Dino contratou uma retro-escavadeira que abriu um valinho de três quilômetros de cumprimento, num total de 2 metros de altura por 2 de largura. O brabo foi salgar esta carnaiama toda, mas como todo bom morungavense, Tio Dino encontrou a solução contratou um piloto amigo seu que pulveriza as lavouras de arroz ali pelas bandas do Caraá. Fizeram 3.500 litros de salmoura, para ter uma idéia, o estoque de sal, manjerona, cominho, salsa, temperinho verde da região ali de Taquara, Pega Fogo, Morro Pelado, Fialho, Glórinha, Monjolo e Gravataí terminou. Esta pequena festa em Morungava resultou num super aquecimento da economia regional. De posse da salmoura, tio Dino e Juca o piloto, sobrevoaram os 3 quilômetros de churrasqueira e pulverizaram a carne; coisa linda de se vê! A festa durou 7 dias e os bailes no salão do Ancelmo lotados todas as noites, a bandinha tinha que tocar pelo lado de fora do salão, ou seja, se abria os tampões (janela) e os músicos colocavam os instrumentos pela janela para animar a turma. Brigava não dava mais nos bailes, mas havia uma placa dos tempos antigos, onde podia se ler junto ao palco em letras garrafais, a frase: É expressamente proibido atirar nos músicos! Tinha tanta gente nos bailes que num dos dias, um senhor quase idoso de 122 anos, sofreu um infarto no meio do salão, isto por volta das 3 horas da madrugas, mas só veio a cair às 6h e 30min no finalzinho do baile, quando esvaziou o salão. Depois da festa provando que a natureza é sabia e que devemos manter o desenvolvimento sustentável, para ter uma idéia, os 3 quilômetros de churrasqueira ficaram repletos de sal, mas muito sal, acabou dando uma forte chuva que encheu o valinho e não se sabe como, mas no local hoje tem peixe e em função do cloreto de sódio, os peixes são do mar. Resumindo: em Morungava criou-se um Pesque Pague Municipal. E para aqueles que acham que é mentira me socorri da velha mala da Tia Miúda onde estão as fotos históricas e pasmem, encontrei duas fotos desta pequena festa realizada no Morungava.
Todos sabem que a rivalidade entre as cidades sempre existiram – Campo Bom x Sapiranga, descendo a lomba da Brasil, meus amigos hamburguenses costumam dizer que Campo Bom é um excelente bairro de Novo Hamburgo para se viver. Mas nos anos 40 Tio Dino disse que os morungavenses, motivados etilicamente e lembrando os feitos farroupilhas resolveram fazer uma revolução e enviaram uma mensagem a Gravataí:
"Cambada de frouxos: declaramos guerra! Temos 385 Cavalos e 2 mil homens morungavenses". Gravataí então responde: "Aceitamos a declaração. O nosso Exército tem 38 tanques, 16 aviões, 98 caicos e 25 mil de soldados." Após dois longos dias de intensa discussão e almoços na Prainha dos Schreiber, o Estado Maior da Guerra morungavense, coordenado pelo general Arcedino Nunes, que também atendia pelo codinome de Dino, o meu Tio Dino, aliás, general de duas patentes, uma delas ainda continuava sendo usada, mesmo depois da construção do banheiro com água encanada. O velho Dino estrategista de guerra se aconselhou com dois generais que eram seus amigos e conselheiros – General Eletric e General Motors e depois de muito analisar, responde ao Exército de Gravataí: "Retiramos a declaração de guerra...Não temos como alojar tantos prisioneiros". Mais ahhh!!!!! Tem que ter concurso – 100% Morungava!
terça-feira, 12 de julho de 2011
SURTÃO E O GAUDÉRIO APRENDIZ
Quando eu conto ninguém acredita, mas Morungava velho é algo fora de série... Tem que ter com concurso! As histórias do Tio Dino estão fazendo sucesso inclusive fora do país. Já são quase 6 mil acessos e mais de 10 países acessando entre estes: Brasil é óbvio, Portugal, EUA, Alemanha, China, Indonésia, Taiwan, Japão, Índia, Espanha, França, Argentina, Venezuela, Cuba e Austrália. Muito obrigado pelos acessos e peço que os amigos continuem divulgando nosso Blog, pois a meta é chegar a 10 mil acessos até dezembro deste ano. Conto com vocês. Acesse nosso Blog e leia novas crônicas e ajude a divulgar nosso trabalho: Acesse: http://cronicasdojair.blogspot.com/
Pois o Tio Dino personagem espetacular e astro de nossas histórias existe sim e quero deixar bem claro aos incrédulos: as histórias são todas verdadeiras. Apaixonado por animais Tio Dino teve um cachorro chamado Sultão que o pessoal de Morungava chamava de “Surtão” Pois não é que uma vez chegou no Morungava um sujeito mais metido que piolho em costura, um teatino andarengo que queria se “aparecer” O gaudério aprendiz entrou no bar do Antônio Porão e levava um cão ao seu lado. Enquanto pedia o café, um freguês comentou:
- Que cachorrão!
- Campeão do Mundo! - respondeu o forasteiro.
- Campeão de que?
- De luta de cachorro! Não tem para ninguém. Ganhou todos os prêmios.
- Acho que não! - respondeu dona Elsa, mãe da Iolanda e uma das melhores parteiras da região.
- Que isso! Aposto dez mil reais! - retrucou o gaudério.
Dona Elsa se adiantou e disse:
- Tenho um compadre, o Dino que mora aqui perto e acho que o seu cão não ganha do dele não. Quer apostar assim mesmo?
- Manda vir!, Disse o gaudério aprendiz e metido.
Meia hora depois, veio um cão magrinho, o tal “Surtão”.
- É essa droga aí que vai vencer o meu Totó?
O pessoal fez a roda. O dono do campeão mal podia segurar o cachorro e o cãozinho do Tio Dino nem aí, não dava a mínima. Fizeram às apostas, os bichos foram soltos, o campeão partiu para dentro do Surtão, que abriu um olho, levantou a pata e - vapt! - deu uma porrada no campeão, que caiu mortinho na hora.
- Ohhhhh!!!! - fez todo mundo.
Tio Dino, dono do Surtão, passou a mão na gaita, dividiu com dona Elsa e teve até a dignidade de nem gozar com o desafiante. Quando já ia se retirando com o Surtão rumo a casa, pois a Tia Miúda esperava com o almoço, o dono do cachorro vencido correu atrás dele e disse:
- Quanto o senhor quer por este cachorro?
- Vendo não, é de estima!
- Então me diga como o senhor conseguiu esta potência? É de que raça?
- Sei não - disse Tio Dino - Já tô com ele há alguns anos. Peguei ele ali em Glorinha. Tinha lá um circo que ia fechar, o dono do circo deu o bicho para mim, cortei a juba dele e guardei lá em casa”. Tem que ter concurso – 100% Morungava!
- Que cachorrão!
- Campeão do Mundo! - respondeu o forasteiro.
- Campeão de que?
- De luta de cachorro! Não tem para ninguém. Ganhou todos os prêmios.
- Acho que não! - respondeu dona Elsa, mãe da Iolanda e uma das melhores parteiras da região.
- Que isso! Aposto dez mil reais! - retrucou o gaudério.
Dona Elsa se adiantou e disse:
- Tenho um compadre, o Dino que mora aqui perto e acho que o seu cão não ganha do dele não. Quer apostar assim mesmo?
- Manda vir!, Disse o gaudério aprendiz e metido.
Meia hora depois, veio um cão magrinho, o tal “Surtão”.
- É essa droga aí que vai vencer o meu Totó?
O pessoal fez a roda. O dono do campeão mal podia segurar o cachorro e o cãozinho do Tio Dino nem aí, não dava a mínima. Fizeram às apostas, os bichos foram soltos, o campeão partiu para dentro do Surtão, que abriu um olho, levantou a pata e - vapt! - deu uma porrada no campeão, que caiu mortinho na hora.
- Ohhhhh!!!! - fez todo mundo.
Tio Dino, dono do Surtão, passou a mão na gaita, dividiu com dona Elsa e teve até a dignidade de nem gozar com o desafiante. Quando já ia se retirando com o Surtão rumo a casa, pois a Tia Miúda esperava com o almoço, o dono do cachorro vencido correu atrás dele e disse:
- Quanto o senhor quer por este cachorro?
- Vendo não, é de estima!
- Então me diga como o senhor conseguiu esta potência? É de que raça?
- Sei não - disse Tio Dino - Já tô com ele há alguns anos. Peguei ele ali em Glorinha. Tinha lá um circo que ia fechar, o dono do circo deu o bicho para mim, cortei a juba dele e guardei lá em casa”. Tem que ter concurso – 100% Morungava!
Na foto atual cachorro do Tio Dino presente que ele trouxe de um safári da África. O bicho já se gauderiou e aderiu a pilcha canina!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O SEGREDO DESVENDADO
Depois de muita pesquisa na internet, nos livros, cheguei a algumas deduções que não vão dar dinheiro, mas que podem contribuir para daqui a alguns anos a humanidade avançar e crescer. Hoje talvez não reconheçam estas teses, mas não me preocupo porque todo gênio só é reconhecido depois de morto. Por exemplo, isto nem Harward estudou: você já percebeu que a gente pode fazer xixi sem fazer côcô, mas fazer côcô sem fazer xixi é impossível ( o que o estudo aprofundado faz... Tem que ter concurso). E a luz da geladeira será que fica ligada quando fecha a porta? Desvendamos alguns segredos fruto de um estudo aprofundado e veja abaixo algumas coisas que se atraem... Mulher e vitrines * Carro de bêbado e poste * Tampa de caneta e orelha *Moeda e carteira de pobre * Tornozelo e pedal de bicicleta *Leite fervendo e fogão limpinho Político e dinheiro público* Dedinho do pé e ponta de móveis *Camisa branca e molho de tomate *Tampa de creme dental e ralo de pia *Café preto e toalha branca na mesa * Dezembro na Globo e Roberto Carlos *Chuva e carro trancado com a chave dentro * Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico * Tapete e pão com chimia * Internacional e taça. * Fila enorme e Banrisul.
1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA: Se mexer, pertence à Biologia. Se feder, pertence à Química. Se não funciona, pertence à Física. Se ninguém entende, é Matemática. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.
2- LEI DA PROCURA INDIRETA:
O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
3- LEI DA TELEFONIA:
Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados. Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.
4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você...
5- LEI DA GRAVIDADE:
· Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação..
6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.
7- LEI DA QUEDA LIVRE:
Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
A fila do lado sempre anda mais rápido. Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.
9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
10- LEI DO ESPARADRAPO:
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
11- LEI DA VIDA:
Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
12- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
· Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto
Filosofia de Aleatória: Julinho Camargo que é um excelente técnico era segundo em um time de primeira e agora é o primeiro em um time de segunda! (Perco o amigo mas não perco a piada)
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O GATO E O TELEFONE
Quando observo pessoas mal humoradas, carrancudas e que se julgam donas da verdade, inicialmente o sangue sobe e a gente meio que se revolta, porém sigo o exemplo de contar até dez e concluo: ignorância é algo digno de pena e arrogância talvez não tenha cura. Muitos esquecem que somos todos iguais, ou seja, depois do jogo de xadrez encerrado, rei e peão vão para a mesma caixa. Alguns analisam as pessoas pelo invólucro e não pelo conteúdo... O que mata a sede é a água e não o copo. Saint Exupéry escritor francês e criador do Pequeno Príncipe nos convida a simplicidade e a vida modesta. Fico a meditar na loucura da chamada “vida moderna” onde até os 50 anos corremos, competimos feitos doidos, aliás, esta questão de loucura cabe uma analise, pois o que é loucura? Quem definiu estes parâmetros? Num muro de Campo Bom alguém pichou nos anos da ditadura – A vida é uma loucura, enrolada em seda pura, porque de cara ninguém atura” Nas paredes do São Pedro, não aquele ali próximo da Praça da Matriz, havia uma frase reflexiva entalhada no sombrio reboco, anunciando de forma profética: “Aqui nem todos que estão são e nem todos são estão! Nós seres “normais” com os nossos cartões de créditos, com os financiamentos, nossos leasing, nossos Prozacs e nossas neuras urbanas, trabalhamos de forma extenuante até os 50 anos para ganhar dinheiro, mas perdemos a saúde, depois gastamos o dinheiro todos e mais um pouco para tentar recuperar a saúde que perdemos. Somos inteligentes. Existem pessoas que desejam acrescentar dias a suas vidas, mas não seria melhor acrescentar vida a seus dias? A cada dia que passa mais me conscientizo de que não vou encerrar meu ciclo na cidade grande e Morungava que me aguarde.... Lá quero colocar um até breve na minha existência, mas volto a destacar em minha lápide deve constar – Aqui jaz muito contra vontade um jornalista e contador de causos.... Mas eu sei em que tenho crido e estou bem certo que é poderoso para guardar o meu tesouro até o fim chegar! Em Morungava não existe pressa e as pessoas se conhecem, se cumprimentam e lá não há arrogância típica das “grandes cidades”. Morungava é um SPA a espera de almas cansadas dos distúrbios e neuroses urbanas. Venha para Morungava e seja feliz.... E por falar em Morungava, tio Dino sempre teve verdadeira paixão pelos animais em especial, cachorros e gatos. Os gatos ainda pequenos recebiam do velho Dino um tratamento nada convencional, visando proteger os bichanos, para que os mesmos não andassem nas “folias”, ou seja, correndo atrás das gatas no cio, meu tio resolvia o problema colocando os gatos de cabeça para baixo dentro de uma bota cano longo e com uma faca afiadíssima, passava a lâmina nos testículos dos bichanos que saiam em disparada ficando por três, quatro dias escondidos pelos galpões, lambendo o ferimento. Cruzes... só de pensar me deu uma dor! Após a castração, os gatos ficavam só pela cozinha, não raro ronronando ao redor da tia Miúda a espera de um pedaço de lingüiça ou salame. Nas tardes de primavera dormiam na soleira da janela da varanda ou nas cadeiras de preguiça no alpendre. Sarnei com “i” e não com “Y” era o nome de um dos gatos de tio Dino. O nome foi dado, pois tio Dino era fã do autor dos Marimbondos de Fogos, o Zé Ribamar, lembra? Ele mesmo que chegou a presidência após a morte (estranha, seriam as forças ocultas?) de Tancredo Neves.... Tia Miúda chegou a ser “Fiscal do Sarney” e não raro avisava o Ancelmo do armazém que os preços estavam altos. Sarnei, não o do Maranhão, mas o do tio Dino era um gato amarelo de olho azul da cor do mar (de Santa Catarina é claro), mas o Sarnei tinha um defeito grave era ladrão. Não podia deixar um pedaço de carne na mesa que Sarnei roubava e corria para debaixo da casa. Tio Dino coçou o lombo de Sarnei, não o do brasileiros e brasileiras e sim o gato, com um mango de tatu, mas gato ladrão e cachorro comedor de ovelha, segundo o velho Dino só matando. Um dia cansado da ladroagem do Sarnei, o gato, tio Dino teve uma idéia, colocou o Sarnei num saco de linhagem e levou o bichano até a localidade do Maracanã. Ao retornar para casa a noitinha feliz com o dever cumprido, sentou para escutar a Voz do Brasil, onde ouviu o Sarney afirmar que agora seria criado gatilho salarial. Por volta das 19 horas e 30 minutos o velho Dino olhou para a porteira e lá estava o Sarnei o gato, sentado ofegante da viagem de retorno. No dia seguinte tio Dino preparou o Gordini e levou o gato até Pinheirinho região de Santo Antônio na certeza de que aquela seria a última viagem de Sarnei. Próximo a uma ponte tio Dino parou o carro e abriu o saco, soltando o Sarnei que desceu mais faceiro que ganso em beira de taipa de açude. O velho Arcedino estufou o peito, pois se livrou de um problema... Pelo retrovisor ainda vislumbrou Sarnei o ladrão, se coçando. Mas como não conhecia bem a região meu tio se perdeu, andou horas e horas e não encontrava o caminho para Morungava. Depois de quase duas horas viu uma placa que dizia: Osório 4 quilômetros. Quase desesperado, tio Dino parou num Posto da Policia Rodoviária e ligou para casa e foi questionado pela tia Miúda: “Ué Dino onde tu andas?” A resposta veio pronta em tom ríspido “Fui consumir com o Sarnei aquele ladrão” Dando risada do outro lado da linha, tia Miúda disse: “Pois é o Sarnei já está aqui na sala dormindo no sofá” Tio Dino que era mais ladino que mascate turco foi logo avisando: “Miúda acorda o Sarnei este ladrão e coloca ele no telefone para ensinar o caminho de volta para mim”.... Tem que ter concurso! – Jair Wingert; jornalista.
terça-feira, 21 de junho de 2011
TIO CANDÓCA
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| As legendárias carretas tinham em Morungava |
PRAS BOAS VOCÊS NÃO ME CONVIDAM
Biriba era do tipo bonachão, daqueles que todos gostavam de estar perto. Sempre pronto para contar uma piada, alguém que nunca se estressava, mas como nem tudo é perfeito Biribinha velho de guerra chegou no Morungava cerca de dez anos atrás, separado e em busca de um recomeço. Não casou, preferindo ficar sozinho e sua grande paixão consistia nos jogos de carta no “Antonio Porão” e na bebida, não que bebesse, mas quando bebia se transformava em outro homem e este homem no qual se transformava bebia todas! Na verdade Biriba já tinha uns 40 anos e todos afirmavam que ele estava procurando quem inventou o serviço. Vivia de pequenos biscates, descarregando caminhões com farinha, ou capinando algum quintal na Vila. Não era muito chegado ao “basquete”. Mas nos sábados a noite nos bailes do Anselmo lá estava o Biriba de terno cinza, cabelo cheio de glostora, sapato lustrado daqueles de observar tudo; tipo espelho... Outro grave problema do Biriba, nos últimos anos era a bebida especialmente no inverno quando não podia efetuar as capinas e outras lides, ele se aconchegava junto ao balcão do bolicho e ali entornava e entortava, não raro teve que ser levado para casa, tal qual a música “É de braço dado com dois sordados.... uai uai...” Uns diziam na barbearia, sim porque em Morungava homem corta cabelo é na barbearia e não no tal de cabeleireiro, que Biriba bebia de saudades da ex-esposa que havia fugido com um turco mascate das bandas de Santo Angelo. Não obstante alguns juravam de pé junto que Biriba veio de São Borja onde tinha pintado como craque de bola, porém o pai não deixou que o mesmo viesse para Porto Alegre treinar nos juvenis do Colorado, treinado pelo Abilio dos Reis. Havia um período em que jogar futebol, tocar violão e cantar era algo pior do que facada na bunda... O jovem que tentasse a vida desta forma era tido por vagabundo. E por falar em Morungava lá é terra de macho, mas também tem fêmeas que é para equilibrar. Não é como Livramento que o Keny Braga se ufana em dizer: “Na minha terra Lauro só tem macho!” O Biriba mesmo com mais de 40 anos era um exímio volante e era titular do Morungava. Ele cadenciava o jogo, segurava a bola para a gurizada respirar. Fazia lançamentos milimétricos. Era a anti-tese do volante brucutu que vigora no Brasil. Quando o jogador não dá certo como meia, nem como atacante, muito menos como zagueiro, parece que o técnico diz assim: “Você joga de volante”. Os volantes brasileiros, a maioria são brucutus que quebram a bola. Que saudades do Falcão, do Zé Carlos, do Clodoaldo... Neste ponto os argentinos dão um banho em nós, já reparou nos volantes hermanos? Sabem sair jogando, dão tapas para os lados, desarmam com classe ao estilo de um tango de Gardel. Dá gosto ver um volante argentino em ação. Já prestou atenção em Veron “La Bruxa” do Estudiantes já veterano faz seus shows nos gramados. Para o bem estética do futebol Veron deveria jogar de terno e gravata! Biriba o nosso craque chegou atrasado para a excursão que o Morungava faria para disputar um torneio na Glorinha. Ainda embriagado do baile, Biriba seguiu pela estrada a pé afinal perderia quem sabe o primeiro confronto, mas chegaria a tempo do almoço, o famoso churrasco assado em espetos de taquara, a maionese com ovos da colônia e o aipim com farinha, além é obvio das cucas. Só que no campo do Glorinha, o primeiro confronto da manhã entre Morungava e Figueirão terminou numa batalha campal. Brigou todo mundo. A pauleira foi tão grande que chamaram reforço de Gravatai. Vieram os brigadianos que naquele tempo usavam aqueles capacetes tipo de louça, não é pinico! Os “homens” trouxeram um caminhão para levar os brigões presos. Mais de 20 pessoas, entre jogadores, dirigentes e torcedores das duas agremiações dentro do caminhão seguiam em direção a DP de Gravatai. Numa das curvas, o caminhão lotado de presos passa pelo Biriba já ofegante que rumava para o torneio “apezito no mas”. Ao conhecer alguns integrantes, Biriba não se conteve e gritou para o pessoal do caminhão: “Pras boas vocês não me convidam né”. Imediatamente o caminhão freou e mandaram Biriba entrar dentro do “trucão”. Ao andar uns 200 metros Biriba pergunta: “Ué o torneio não era na Glorinha?” A resposta de um dos jogadores foi afirmativa. Biriba não entendendo nada pergunta: “Mas então para onde a gente está indo?” Foi aí que soube que estavam todos presos e que mesmo não tendo participando da briga acabou em cana.... “Pras boas vocês não me convidam né”!!!
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