quarta-feira, 17 de setembro de 2014

QUEBRANDO O SILÊNCIO EM CAMPO BOM

Membros das Igrejas Adventistas do Sétimo Dia realizaram caminhada pelo centro de Campo Bom abordando a questão da violência doméstica.

Adventistas realizaram caminhada contra violência a mulher criança e idosos

No último sábado (13.09), a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Campo Bom realizou a tradicional caminhada do programa Quebrando o Silêncio que é um projeto educativo e de prevenção contra o abuso e a violência doméstica, promovido anualmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em oito países da América do Sul, (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai) desde o ano de 2002. A Caminhada reuniu um grande número de participantes (membros da Igreja, Desbravadores) seguiu pela Avenida Brasil em direção ao centro da cidade com término no Largo Irmãos Vetter. Pelo trajeto os participantes distribuiram junto aos transeuntes e comércio, revistas, folderes alusivos a campanha. O evento contou com apoio da Guarda Municipal de Trânsito que fez todo acompanhamento, dando segurança aos participantes. Segundo o pastor José Garcia, a razão da problemática sobre os constantes abusos que se apresentam dia a dia na sociedade é o silêncio das vítimas ante estes atos. Houve a necessidade de se fazer um plano que instruísse as pessoas a:

- Desenvolver um sentido de respeito nos relacionamentos e

- Ter a capacidade de enfrentar estas circunstâncias.

“Por esta razão, para apoiar as pessoas de uma forma prática e efetiva, se lançou a campanha Quebrando o Silêncio, que é dirigida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e promove ações contra a violência doméstica”, destaca o pastor Garcia. Já a professora Marlene Garcia; líder do Ministério da Mulher e responsável pela caminhada, salienta que a cada ano esta campanha tem uma ênfase diferente, mas o fundamento consiste em conscientizar as pessoas sobre o respeito às mulheres, às crianças e aos idosos. A campanha se desenvolve durante todo o ano, mas uma das suas principais ações ocorre sempre no quarto sábado do mês de agosto. Este é o “Dia de ênfase contra o abuso e a violência”, quando ocorrem passeatas, fóruns, escola de pais, eventos de educação contra a violência e manifestações na América do Sul.

Quebre o silêncio: diga não a violência

A ética cristã ensina a receita da convivência ideal: “Façam aos outros o que querem que eles lhes façam” (Mateus 7:12, NVI). Em muitos países, leis são sancionadas visando a proteger de agressores e da negligência, mulheres, crianças e idosos. Autoridades trabalham para minimizar esses males e ONGs atuam em programas de proteção. Há oito anos, a Igreja Adventista desenvolve a campanha Quebrando o Silêncio para prevenir, educar e combater todas as formas de violência doméstica. O momento é de unir forças e apresentar um posicionamento firme. Orientações por meio de órgãos competentes como: delegacia da mulher, conselho tutelar, disque 100, ligue 180, são maneiras de encontrar segurança e apoio para a superação de traumas. Se você conhece alguém que está sofrendo abuso, e tem medo, ou mesmo sente vergonha de ir a uma delegacia sozinha, coloque-se à disposição para acompanhar essa pessoa.

“O silêncio é ouro”, mas nem sempre. Por exemplo: É justo ficar calado quando:

- Uma em cada três mulheres já foi espancada, forçada a manter relações sexuais ou sofreu algum tipo de abuso?

- A cada oito minutos, um menor é vítima de abuso no Brasil?

- Mais de 150 milhões de meninas e mais de 70 milhões de meninos, em todo o mundo, foram vítimas de violência doméstica?

“A violência é crime! Nenhuma vítima é capaz de se esquecer disso. Mas um ambiente acolhedor, receptivo e, acima de tudo, humano pode ajudá-la a superar” as consequências dos maus-tratos. Você pode fazer a diferença, abrindo caminho para a superação. O primeiro passo é quebrar o silêncio, buscar ou oferecer ajuda.
Lideranças das seis Igrejas Adventistas de Campo Bom distribuiram materiais alusivos ao programa Quebrando o silêncio.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ADVENTISTAS CAMINHAM CONTRA A VIOLÊNCIA

Quebrando o silêncio é uma ação organizada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Neste sábado (13.09), a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Campo Bom estará organizando uma caminhada dentro do programa Quebrando o silêncio que acontece anualmente na America do Sul. O evento em Campo Bom é organizado pelo Ministério da Mulher e tem a coordenação na família pastoral – pastor José Garcia e a professora Marlene Garcia. As seis Igrejas Adventistas de Campo Bom estão mobilizadas para esta caminhada que terá a concentração na Avenida Gustavo Vetter próximo da Unimed e seguirá pela Avenida Brasil com encerramento no Largo Irmãos Vetter no centro da cidade. Cartazes, faixas alusivas ao tema que este ano vai abordar a violência contra a mulher, criança e idosos, bem como, a distribuição de revistas e folderes da campanha. De acordo com o pastor Garcia a caminhada é um alerta que a IASD faz com relação a este tema importante que assola a sociedade contemporanea. A caminhada é aberta a toda comunidade. Todas as famílias campo-bonenses, independente do credo religioso são bem vindos.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia Centra de Campo Bom está localizada na Rua 7 de Setembro, 219 – centro - próximo ao Estádio Sady Schmidt (Clube XV de Novembro). Os cultos acontecem aos sábados às 10h e 30min - Quartas-feiras e Domingos sempre às 19h e 30min.

O que é o Quebrando o silêncio

Quebrando o Silêncio é um projeto educativo e de prevenção contra o abuso e a violência doméstica, promovido anualmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em oito países da América do Sul, (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai) desde o ano de 2002.
A razão da problemática sobre os constantes abusos que se apresentam dia a dia na sociedade é o silêncio das vítimas ante estes atos. Houve a necessidade de se fazer um plano que instruísse as pessoas a:
  •  Desenvolver um sentido de respeito nos relacionamentos e
  •  Ter a capacidade de enfrentar estas circunstâncias.
Por esta razão, para apoiar as pessoas de uma forma prática e efetiva, se lançou a campanha Quebrando o Silêncio, que é dirigida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e promove ações contra a violência doméstica.
A cada ano esta campanha tem uma ênfase diferente, mas o fundamento consiste em conscientizar as pessoas sobre o respeito às mulheres, às crianças e aos idosos. A campanha se desenvolve durante todo o ano, mas uma das suas principais ações ocorre sempre no quarto sábado do mês de agosto. Este é o “Dia de ênfase contra o abuso e a violência”, quando ocorrem passeatas, fóruns, escola de pais, eventos de educação contra a violência e manifestações na América do Sul.
Para mais informações, visite: quebrandoosilencio.org/
*Em caos de chuva a caminhada será transferida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PEPE MUJICA: UM EXEMPLO DE SOCIALISTA

Do outro lado do Rio da Prata, o uruguaio José “Pepe” Mujica, o chefe de Estado mais pobre do continente, vive em condições de austeridade e conserva o mesmo patrimônio que possuía quando chegou ao poder, em 2010: uma humilde chácara a 20 quilômetros de Montevidéu e um fusca modelo 1987, avaliado em US$ 1.925. Mujica doa 90% dos US$ 12.500 que recebe mensalmente a programas sociais. Quando o Uruguai recuperou sua democracia, em 1985, Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro, saiu da prisão e disse que todos em seu país deviam aprender a “viver como pobres”. E foi o que ele fez. Junto com sua companheira, a senadora e também ex-tupamara LuciaTopolansky — que, ao contrário do presidente, pertencia a uma família de classe alta — mudou-se para a chácara e construiu uma vida simples. Na semana passada, Mujica, de 77 anos, foi notícia no Uruguai por ter saído sozinho para comprar uma tampa de privada. Na volta para casa, o presidente foi visto pelos jogadores do Huracán del Paso de la Arena, um time local, que o chamaram para comer um churrasco e conversar. E lá foi Mujica, com a tampa de privada debaixo do braço.
— A simplicidade do presidente não é pose — contou o jornalista do “El País” Eduardo Delgado. — Participei de várias viagens presidenciais, e todos fomos com Mujica em aviões de companhias comerciais e em classe econômica.
Em entrevista ao semanário “Búsqueda”, realizada durante a campanha eleitoral de 2009, o presidente explicou sua teoria. Para ele, viver como pobre é a única maneira de libertar-se das pressões da sociedade de consumo.
“Temos de escapar da escravidão que impõe a dependência material, que é uma das coisas que mais roubam tempo na sociedade contemporânea”, filosofou então Mujica. “Se você se deixa arrastar pelas pressões da sociedade de consumo, não existe dinheiro que alcance, não tem fim, é infinito”.
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Além de doar seu salário, Mujica destina parte do dinheiro restante a pagar tratamentos de saúde para uma de suas irmãs, que sofre de esquizofrenia, segundo confirmaram pessoas que há muitos anos convivem com o presidente. Em sua chácara, a única mudança desde que se tornou presidente foi a construção de uma casinha para os seguranças. Com certa aversão ao protocolo, Mujica teve de aceitar, também, roupas novas. Mas sempre preservando seu estilo informal, que não inclui, até hoje, o uso de gravata.
— Já jantei na casa do presidente, e até a comida é muito simples: é uma típica família de classe média baixa — contou um jornalista uruguaio, que pediu para não ser identificado.
O jeito Mujica de ser é bem visto por muitos uruguaios, mas questionado pelas classes mais altas, que têm certa dificuldade em aceitar um presidente que fala e vive como um homem do campo. Ainda com dois anos e meio de governo pela frente, Mujica tem 52% de aprovação popular, segundo pesquisa do instituto Data Medida. Já seu vice, Danilo Astori, um economista moderado e com um estilo bem mais sofisticado, obteve 60% de avaliação positiva.
Ele não tem dívidas nem conta em banco
Sem contas bancárias ou dívidas, de acordo com El Mundo, ele apenas repete que espera concluir seu mandato para um descanso sossegado no Rincón del Cerro.
A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, seguindo orientações de um marqueteiro. Não, ela faz parte da própria formação de Mujica, um homem que lutou contra a ditadura, foi preso e, ao lado de dezenas de Tupamaros, participou de uma fuga cinematográfica da antiga prisão onde hoje está o Centro Comercial Punta Carretas, em Pocitos, lutou pela volta da democracia e hoje é presidente eleito do país.
Foto: Pepe Mujica: um exemplo de simplicidade e compromisso com o povo.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A VIDA É UMA LOUCURA...

O que é loucura? Quem definiu isso será que era bem certo? Vamos que o sujeito também era louco? No muro do São Pedro, não o teatro, a frase faz pensar e refletir: Aqui nem todos que estão são, mas também nem todos são estão....” Profundo, muito profundo... Em Campo Bom nas paredes de uma fábrica de calçados que fechou a frase também é profunda: “A vida no planeta Campo Bom é uma loucura enrolada em seda pura, porque de cara ninguém atura” Mas por falar em louco contam que em 2003 o presidente Bush dos Estados Unidos foi visitar um asilo de loucos na Pensilvânia. Coisa de primeiro mundo, o asilo. Tudo bem arrumadinho, bem organizado, os loucos dispostos em alas conforme a categoria. Um prédio abrigava os napoleões, outro estava cheio de latinos que se diziam Fidel Castro, uma sala com três ou quatro fernando-henriques e assim por diante. Cada maluco no seu devido lugar.A certa altura, o diretor do hospício conduziu o presidente Bush ao maior, o mais bonito e bem decorado pavilhão e falou: “Presidente, este pavilhão é uma homenagem ao senhor”O diretor abriu a porta de um enorme salão onde se encontravam mais de cem loucos, todos eles absolutamente iguais ao presidente Bush. Ah, que beleza, suspirou o presidente. Todos querem ser iguais a mim. E foi entrando para conversar com os outros bushes. De repente, deu-se o inesperado. Os loucos enlouqueceram e foram pra cima de Bush. Quer dizer, todos foram pra cima de todos e logo ninguém sabia quem era quem. Depois que a segurança do presidente conseguiu acalmar a situação, sobraram quatro bushes entre os mais de trinta mortos e quase uma centena de feridos.E a dúvida: qual dos quatro é o presidente? A direção do hospital convocou reunião do Conselho Psiquiátrico, fez uma avaliação criteriosa e identificou, entre os quatro sobreviventes, o verdadeiro presidente Bush.O presidente Bush se arrumou, vestiu roupa limpa e voltou para a Casa Branca.No dia seguinte, Bush mandou invadir o Iraque.

Morungava também tem louco...

Dizem que alguns ficaram outros sairam e se bandearam para o planeta Campo Bom e arredores... (Mas não sou eu). Pois lá no Morungava num periodo dos anos 70 havia uma clínica psiquiátrica na qual tio Dino era o diretor. Todos os internos passavam por uma entrevista meticulosa do velho Arcedino que também era adepto da maior autoridade em loucura da época o Analista de Bagé. Tio Dino era do tipo ortodoxo e não abria mão da terapia do mango e do joelhaço no saco. Outra estratégia usada era colocar um nota de 50 cruzeiros no chão, é claro que a nota era uma falsificação porque afinal de contas tio Dino era o diretor da clínica e não paciente. Se o paciente pegasse a nota e colocasse no bolso não ficava internado, pois era falcatrua e estava se fresqueando. Uma vez vieram o pessoal da saúde do Estado fiscalizar o hospício do Tio Dino (Pequenos hospicios grandes negócios era o lema). Pois um sujeito com cavanhaque que lembrava o bode Osnar do sítio do tio Dino e ar de quem morava na capital, cheio de grau questionou o velho Dino. “Qual o critério que vocês usam para saber quem deve ser hospitalizado?”, perguntou. O velho Dino que é mais ladino que mascate olhou bem no grão dos olhos do almofadinha e disse: “A gente faz o teste da banheira” O jovem metido pergunta: “Como é este teste?” O velho Dino responde: “Nós enchemos uma banheira com água e colocamos ao lado uma colher, um copo e um balde. De acordo com a forma que a pessoa decida esvaziar a banheira a gente analisa o grau de gravidade da patologia” observou tio Dino. O jovem “inteligente uma barbaridade” sorriu e disse: “Ah entendi uma pessoa normal usaria o balde que é maior que o copo e a colher” disse o almofadinha. Tio Dino com aquele sorriso sarcástico, sentenciou: “Não uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que tu prefere quarto particular ou enfermaria do INPS?”, pergunta dando gaitadas o velho Dino. Pois não é que o fusquinha dos engravatados sumiu pelas estradas do Morungava e nunca mais apareceram para questionar os métodos do tio Dino. Tem que ter concurso – 100% Morungava!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

TIO DINO E O CEMITÉRIO

Bar de frente pro futuro ficava na beira da estrada bem na frente do cemitério de Morungava
Se tem um ponto turístico em Morungava além é obvio das cascatas, matas preservadas, sítios de lazer e o Morro do Itacolomi  é o cemitério. Nos dias de finados é uma “festa” de tanta gente viva em romaria para acender velas e levar flores aos seus mortos, aliás, os mortos de Morungava a maioria tem mais de 80 anos. Lá ninguém morre jovem, de ataque cardíaco, derrame e outras doenças do mundo consumista. Depressão? Só a de 1929 que quebrou os Estados Unidos. Estresse? Para que estresse se a vida é bela. Em Morungava ninguém sofre por antecipação e após o almoço a ciesta é certa e reparadora. Nos finados, barracas comercializando flores, ambulantes vendendo pasteis, água mineral e outros produtos que ajudam no aumento do colesterol, triglicerídeos e outras doenças modernas. Bem na frente no cemitério tio Dino era proprietário de um bar que tinha um nome sugestivo especialmente aos pinguços “Bar de frente pro futuro” que apontava justamente para o “campo santo”, última morada, lugar dos pés juntos, lugar onde o pobre e o rico fedem iguais, às vezes o rico fede mais ainda. Esta semana o velho Dino me ligou e quando ele telefona quase sempre é indignado. Desta feita sua indignação é com relação ao chamado banho de gelo que os ricos e famosos estão fazendo. Ele já chega atravessando, cuspindo marimbondo, soltando fogo pelas ventas “Tu já viu este negócio que a burguesada está fazendo? Este troço de banho de gelo, isso é viadagem de quem não tem o que fazer. Vão carpir uma roça, ou pintar uma creche ou uma escola. Vão cantar num asilo, vão visitar as crianças com câncer nos hospitais de Porto Alegre. O pior é que esta bosta começou lá na terra do tio Sam e o brasileiro que gosta de imitar já está aderindo e depois ficam bravos que o Maradona nos chama de macacos” alerta tio Dino. Mas depois mais calmo ele contou  uma história pitoresca ocorrida nos tempos do “Bar de frente pro futuro” Lá no Morungava nos anos 70 apareceu um teatino que alguns acreditavam  ter se refugiado na cidade em função da ditadura, outros pensavam que podia ser um espião do “Dops”. Na verdade Feliciano se arranjava trabalhando em sítios e pequenas propriedades de Morungava, ajudando na roça e no campo na lida com o gado. Final de tarde chegava ao bar onde cumpria um ritual, pedia um martelo (copo) com cachaça do Monjolo produzida pelo Antônio Selistre “Toninho Gordão”, pai do Vicente Selistre, com biter. Feliciano na frente do bar e sob o olhar contrariado dos clientes erguia o copo e olhando para o cemitério dizia: “E ai defuntaiada vai um gole aí?” Isso acontecia de segunda a sexta-feira e tio Dino sempre respeitador ficava bravo com a postura do teatino Feliciano do “Dops ou do MR8”. Seguidamente questionava: “Olha Feliciano isso vai dar rolo, tu não respeita os mortos?” Feliciano desdenhava e sorrindo dizia: “Que se ferre esta defuntaiada e mais me sobra para beber” Um dia tio Dino combinou com uns jovens o seguinte: eles se esconderiam atrás do muro do cemitério vestidos com lençóis e munidos de paus e taquaras, no momento em que Feliciano erguesse o copo e gritasse, eles sairiam e pegariam o desaforado, dando-lhe um corretivo. Quinta-feira à tardinha de inverno, a noite chegava e os vaga-lumes na beira da estrada davam brilho colorido, no céu o lusco fusco apontava que mais um dia chegava ao seu final. Feliciano chega ao bar e repete a cena. Com o copo na frente do bar ele grita: “E ai defuntaiada vai um gole aí?”. Neste instante os guris pulam o muro do cemitério e puxam Feliciano para dentro do cemitério e cagam a pau o malcriado. O teatino gritava e pedia socorro, mas ninguém ajudou o “pobre”. Apanhou pior que o Maguila naquela luta contra o Hollyfield. Passado quatro dias da coça, Feliciano ainda cheio de hematomas se achegou ao bar do tio Dino estilo gato capado, olhando para os cantos, ressabiado e de olho no cemitério. Quieto tipo nenê com fralda cheia, Feliciano pediu o trago, mas bebeu calado. Tio Dino que é mais curtido que pepino em vidro, não perdeu a oportunidade e lascou: “Che Feliciano eu não te falava que esse negócio de mexer com os mortos daria problema?” Feliciano ainda ajeitando os esparadrapos na cabeça observa “Problema eu achava que não daria, mas o pior de tudo é que só aqui em Morungava enterram os mortos com paus e taquara” afirmou o teatino que sorveu o trago e seguiu seu caminho pelo outro lado da rua com os olhos mais arregalados que gato embaixo da casa e mais apavorado que sapo em cancha de bocha. Nunca mais fez piada com a defuntaiada do Morungava e assim como chegou um dia sumiu e nunca mais foi visto naquelas paragens. 100% Morungava – Tem que ter concurso!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

GETÚLIO: HOJE NO TELA QUENTE!

Getulio Vargas saiu da vida para entrar para história e adiou o golpe por 10 anos.
Nesta segunda-feira no Tela Quente na Globo/RBS TV assista o filme Getúlio. O filme retrata os últimos três dias da vida de um dos maiores presidentes da história do Brasil; Getúlio Vargas que ao lado de Lula se tornaram dois ícones. O papel de Getúlio foi interpretado pelo talentoso Tony Ramos e no papel de Alzira; filha do presidente está a atriz Drica Moraes. Vale a pena assistir!
60 anos da morte de Getúlio Vargas
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. A frase, uma das mais célebres passagens da história política brasileira, encerra a carta-testamento deixada por Getúlio Vargas. Há 60 anos, no dia 24 de agosto de 1954, o então presidente tirou a própria vida em meio à pior crise enfrentada em seus anos de atuação política.  Uma reunião com os ministros no Palácio do Catete varou a madrugada e decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses para dar lugar ao vice, Café Filho. Após o fim da discussão, já com o dia claro, o político se recolheu ao seu aposento. Por volta das 8h35, o barulho de um tiro ecoou pelo palácio. Seu filho Lutero correu para o quarto, seguido pela esposa de Vargas, Darcy, e a filha Alzira. "Getúlio estava deitado, com meio corpo para fora da cama. No pijama listrado, em um buraco chamuscado de pólvora um pouco abaixo e à direita do monograma GV, bem à altura do coração, borbulhava uma mancha vermelha de sangue. O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola estava caído próximo à sua mão direita".  É assim que Lira Neto descreve o cenário da morte de Vargas no terceiro volume da série biográfica Getúlio. A carta-testamento de Getúlio Vargas, que seria transmitida durante aquele dia pelas rádios em todo o território nacional, foi encontrada em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente. Nos apontamentos do biógrafo, o texto, originalmente esboçado por Getúlio, teve sua versão final passada na máquina de escrever pelas mãos de um  amigo, José Soares Maciel Filho, já que o ex-presidente não sabia datilografar. O rascunho da carta havia sido encontrado no dia 13 de agosto pelo major-aviador Hernani Fittipaldi, um dos ajudantes de ordem de Getúlio, enquanto arrumava a mesa do presidente. Assustado com o conteúdo do manuscrito, ele entregou o papel à Alzira, que questionou o pai. “Não é o que estás pensando, minha filha. Não te preocupes, foi um desabafo”, se esquivou Vargas. Essa porém não foi a primeira vez que Getúlio fez menção ao suicídio. Em suas anotações pessoais ele já havia cogitado tirar a vida em outros momentos de sua jornada política. A primeira delas foi quando chegou ao poder em 1930. Naquela data, enquanto se encaminhava para a sede do governo, se disse disposto a não retornar com vida ao Rio Grande caso não obtivesse sucesso na empreitada. Era a primeira anotação pessoal que fazia no diário que carregou para o resto da vida. Lira Neto considera que a diferença em 1954 é que Getúlio se viu encurralado e não conseguiu contornar a crise como das outras vezes. Confira em vídeo trecho da entrevista com Lira Neto.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OS IPÊS E A VIDA

A vida muitas vezes não  é aquilo que escolhemos e em muitas oportunidades nos sentimos como se nos oportunizasse um papel no teatro da existência, mas antes de adentrar no palco te concedem um papel que tu não quer interpretar, porém és empurrado para dentro do palco da vida e uma voz então grita: abram as cortinas.  E mesmo não querendo interpretar você  é obrigado porque o show não pode parar. Nesta cidade fria e injusta eu já perdi as contas das vezes que morri. Eu ando meio com medo que um dia ainda ache a tristeza normal. Mas por outro lado sei que as angústias, os conflitos e até mesmo as dores vão passar. A pior das dores não é a física que com medicamentos são suprimidas, mas a dor da alma, esta dilacera e rouba aos poucos a seiva da vida que teima em manter o ator da existência com mínimo de fôlego para interpretar seu papel. O fatídico e depressivo mês de agosto está chegando ao seu final e com ele as tardes cinzentas onde nem mesmo o morro de Dois Irmãos aparece em função da neblina. No somatório de perdas e derrotas, restaram apenas cicatrizes de batalha. A primavera começa a dar seus ares, já podemos vislumbrar pela Andradas, Independência e Parcão Arno Kunz a presença mágica dos ipês roxos, mas o teatro prossegue e vem ai  mais uma peça e mais uma para interpretar. Os refletores se acendem, a cortina sobe e a voz grita: interpreta porque o show não pode para! Neste teatro a plateia dificilmente aplaude e não obstante vaia e te cobra precisão e esforço. O mais difícil neste teatro da vida é não ter e ter que ter para dar. O mais difícil é ser você mesmo. As luzes da ribalta, mas quando vão se apagar? Tudo o que muitas vezes o ator  anela  é ver a cortina fechada e no camarim da mediocridade se esconder, tirar a máscara e chorar. Neste teatro árido da nebulosa existência o mais real e verdadeiro são as lágrimas.
*Jair Wingert; jornalista e blogueiro.