segunda-feira, 21 de julho de 2014

O GOL DE CABEÇA

Zequinha taxista, torcedor do Internacional, o campeão de tudo, o clube do povo, o rolo compressor, a academia do povo, dos tempos de Falcão, Figueroa, Fernandão, Iarlei, Dario, Flávio, Carpegiani e outros craques. O apelido que veio desde tenra idade em função de ser o menor em tamanho e idade no clã dos Morais, seguiu a profissão de seu pai. Quanto ao mundial Zequinha apenas acompanhava pelo rádio, pela televisão e pelas notícias dos jornais. Na direção do carro novo financiado graças aos programas do governo Federal, o diálogo principalmente com os homens  girava em torno do rendimento pífio da seleção canarinho que não encantou e com um agravante da “Neymardependência”. Uma "fiasqueira" do Felipão que na ótica de Zequinha estava enxovalhando o nome do nosso país, ou melhor, do Rio Grande do Sul. Naquela tarde na Nilo Peçanha em Porto Alegre, Zequinha apanhou um passageiro do tipo no mínimo estranho, não só pelas roupas, mas pelo silêncio quase sepulcral e com comportamento suspeito. Na verdade Zequinha não estava com muita vontade de conversar, contrariando sua característica principal que é justamente dialogar. Seus amigos do ponto de táxi brincavam que Zequinha falava tanto que chegava a bronzear a língua, mas o motivo da quietude eram os seis gols sofridos contra a Alemanha.  Foi o “mineiraço” reedição do  maracanaço de 1950 quando ao menos chegamos a final, pensava Zequinha que ainda no sinal pode ver em uma lancheria repleta de bandeirinhas do Brasil e com a presença já diminuta de torcedores pode vislumbrar, o Galvão perguntar “Pode isso Arnaldo?” ao se referir ao sétimo gol dos alemães. Goleada com gosto de chocolate “amargo”. Ele pensava em voz alta “Não podia dar certo, pois no meu tempo – Oscar jogava basquete, Jô era comediante e Fred era dos Flintstones”. Na rodoviária o estranho pagou a corrida e desceu seguindo seu rumo sem ao menos balbuciar uma palavra. Ainda atônito com a goleada, Zequinha percebeu que o passageiro esquecera uma sacola no banco traseiro, parecia que propositalmente. Em vão procurou o estranho por toda rodoviária. Após quase uma hora de procura inútil, inclusive nos banheiros,  resolveu chamar a policia e ao retirar a sacola do carro já conseguiam sentir um insuportável mau cheiro exalando do interior da mesma, sem contar que um liquido viscoso e roxo escorria pelo fundo do invólucro. O policial abriu a sacola em meios aos olhares curiosos que se aglomeravam ao redor do táxi, enquanto isso no sistema de comunicação uma voz pastosa dizia: “Onibus com destino a Sarandi com saída às 18 horas na plataforma 44”. Para surpresa no seu interior havia uma cabeça... Uma enorme cabeça, sim uma cabeça, de homem? Mulher? Criança? Não, uma brassica oleracea variedade capitata, nada mais que uma cabeça de repolho roxo.
 

terça-feira, 24 de junho de 2014

10 ANOS SEM BRIZOLA: O ARAUTO DA EDUCAÇÃO

Em 2004 perdemos um dos maiores estadistas, um das melhores cabeças da America Latina. Faz dez anos que o mundo ficou mais pobre com a morte do nosso gaúcho; ex-governador Leonel de Moura Brizola. Num momento conturbado que estamos vivendo como faz falta aquele senhor de cabelos ralos e grisalhos, com um sorriso carismático, vestindo a camisa azul piscina que o vereador Victor de Souza define como “azul Brizola”, por volta das 20 horas e 30 minutos após o tele jornal surgir na tela da nossa TV e dizer. “Meus conterrâneos e  conterrâneas...”  Um dos grandes feitos de Brizola foi a Legalidade na qual impediu o golpe militar e se tornou uma referência mundial, aliás, a Legalidade foi o maior e mais autêntico movimento popular da história do Brasil... “Avante brasileiros de pé, unidos pela liberdade...” Brizola faz muita falta e no discurso do senador Cristóvão Buarque pode sintetizar esta ausência deste grande líder trabalhista...
Leonel Brizola: escola em tempo integral= cidadãos de bem!
“Medimos os grandes políticos pela presença deles no cenário nacional quando estão vivos, mas medimos a importância dos maiores de todos pela ausência deles”. E Brizola foi um político de presença firme ao longo de todas as décadas de sua atividade política. Ele nunca esteve discreto na vida pública brasileira. Sempre teve um lado claro, firme, em defesa da Nação brasileira, em defesa dos trabalhadores brasileiros. Brizola faz falta nesse mundo em que, aparentemente, não há bandeiras claras, nítidas. Ele carregava em si uma bandeira. Ele falava com uma posição, com um lado, com uma nitidez de princípios e de propostas, sem esse furta-cor que hoje caracteriza as bandeiras dos partidos no Brasil. Brizola faz falta na soberania nacional, na nitidez de posições que digam: existe um lado, e existe outro lado, não esse meio-de-campo em que todo mundo hoje está se misturando. Brizola faz muita falta, sim, porque era a voz, respeitada nacionalmente, capaz de colocar no cenário nacional a prioridade radical pela educação. É diferente o discurso que põe essa bandeira na boca de outros ou na boca do grande Leonel Brizola, até porque ele fez esse discurso há mais de cinquenta anos.Hoje, no momento em que o grande capital é o conhecimento, no momento em que a base do progresso é a educação, a fala de Brizola estaria incendiando este País por uma revolução. Brizola está fazendo falta, porque ele criou, há muito tempo, a verdadeira escola, que era o Centro Integrado de Educação Pública (CIEP): a escola de horário integral. Mas ele falou tão na frente, tão adiantado, que não conseguiu levar isso para o Brasil inteiro. Brizola faz falta por que seria capaz de conduzir o Brasil nessa revolução educacional que defendia em um tempo, antes de ser essa a verdadeira razão da revolução. O grande Brizola faz falta no momento em que as leis trabalhistas exigem alguns ajustes, mas não podem ser ajustes contra os interesses dos trabalhadores. Ele faz falta por que a voz dele seria a melhor para dizer que aqui estão as mudanças que podemos fazer, aqui está o limite além do qual a gente não vai, aqui está a maneira de mudar as leis, melhorando-as, não prejudicando os trabalhadores. Ele está fazendo falta, nesse momento, porque a voz dele daria uma força, uma credibilidade que nenhum de nós, políticos ainda vivos, temos. Brizola tinha os princípios, a história dos princípios, a palavra dos princípios. Por isso, faz falta. Brizola faz uma profunda falta também neste momento do vazio ideológico que vive a política no Brasil, porque ele nunca foi contaminado por uma ou outra ideologia. Ele construiu sua ideologia. Ele foi capaz de não cair nos “ismos” e criar o Trabalhismo junto com Getúlio, com Jango, com Pasqualini e com outros, mas a linha dele não seria afetada pelo debacle que a gente viu da maneira como o socialismo era feito. Hoje, lembramos a todos que houve um político que foi grande quando vivo e que ficou ainda maior quando a gente sente sua ausência. Viva Brizola, pelo seu tamanho em vida e pelo sentimento de ausência que ele nos passa!” O jornalista Petronio Souza, tão logo soube da morte de Brizola, assim definiu o grande líder: “Foi gênio e genial, homem raro, daqueles que nasceu lá para as bandas dos pampas do olhar reto, direto; engenheiro por formação, queria reconstruir o país, e estruturado em valores solidificados na pedra preciosa do nacionalismo autêntico. Não enxergava limites nem divisas, para ele a Nação era o todo, sem barreiras no amor incorporado. Agora, ficamos nós com o coração vazio. Muitos não concordavam, mas ouviam. Por autoridade nacional, ele repetia, repercutia. Agora, fica faltando um bravo no céu anil do Brasil. Fica faltando as sábias palavras do grande pai nacional que, sempre, para o bem geral da Nação, ponderava. Fica faltando Leonel Brizola, o homem que fez desabrochar uma Rosa Vermelha brasileira, dentro do peito dos verdadeiros filhos da Pátria”.Registramos a nossa profunda saudade, principalmente, neste momento, em que a corrupção, o nepotismo e a falta de ética corroem os poderes republicanos, sem que uma voz que tenha a sua credibilidade e a sua autoridade, levante-se na defesa do povo humilhado. Para nós seus amigos e seus companheiros e para mim em particular que em 1957, aos 19 anos passei a integrar a sua equipe na Prefeitura de Porto Alegre, Brizola vive, através do legado das suas idéias, da sua coerência e da sua coragem e determinação na luta da defesa dos interesses e dos anseios do povo brasileiro e, cabe a nós, os seus seguidores trabalhistas autênticos, dar continuidade aos seus projetos e as suas propostas consubstanciadas na Missão que ele legou ao PDT: “Nós temos a nossa responsabilidade com a história. Nosso partido é o único com determinação de assumir as grandes causas nacionais. Nenhum partido é tão nacionalista quanto o nosso. Queremos um país desenvolvido, autônomo, independente. Nós somos a emanação das lutas sociais. O Trabalhismo nasceu da Revolução de 30, de uma inspiração do Presidente Getúlio Vargas, que foi evoluindo de acordo com o processo social, empenhado em garantir direitos à massa dos deserdados.  Nós somos as verdadeiras reformas, a mudança, o voto rebelde. Somos a expressão brasileira do socialismo democrático e tomamos a feição social democrata, pois é preciso chegar a um certo nível de igualitarismo para termos desenvolvimento. Nós temos genética, somos uma grande sementeira de idéias em beneficio do povo brasileiro. Temos que estar sempre onde está o povo. Existimos para dar voz aos que não tem voz. Nossa ancoragem é a área deserdada da população. Nosso guia é o interesse público e o bem comum”.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

ELE VOLTOU...

Jair Wingert é colunista esportivo do Fato do Vale
E ai galera (tô falando com a gurizada) tá nessa manos... Meus caros e diletos amigos (tô falando com a turma com mais de 40, a turma como eu 5.0 para cima que comeu bala soft e se engasgou, que foi no Téleco quando se instalava na avenida Brasil onde hoje é o Unidão, ou assistiu aos clássicos Oriente e 15,ou Riograndense e 11 Garotos e ouvia o programa do Flávio Lima e do Tangará na Rádio Cinderela e as bandinhas do Darci Schmidt). Pois olha desde a última sexta-feira (14.06) retornei a fazer algo que amo de paixão; escrever e escrever sobre futebol é algo maravilhoso, aliás, na minha casa os Wingert vivenciavam epidermicamente futebol. Todos colorados (o Wingert que não é colorado pode procurar um psicólogo, psiquiatra, porque tem problemas). Aprendi a gostar de futebol com meus pais e irmãos, ouvindo o Ranzolin, Haroldo, Helio Fagundes, Samuel de Souza e o Rogério Amaral. Mas vamos deixar de ser piegas e voltar ao presente, aceitei o convite do jornalista Joelci Mello e estou escrevendo uma coluna semanal “Papo de Boleiro”, onde  neste momento o tema é óbvio é Copa do Mundo. Então convido a todos a comprar O Fato do Vale edição deste sexta-feira (20.06) e acompanhar além do Papo de Boleiro toda a cobertura de Brasil e México e da Copa do Mundo de maneira geral. Na semana passada O Fato deu um banho de cobertura, a partida entre Brasil e Croacia encerrou 18h e 50 minutos, às 19h e 30min a página de esporte com matérias e fotos belíssimas estavam prontas e as 22 horas já estávamos circulando com uma edição de ouro, fruto do trabalho profissional e competente de uma equipe que joga sob pressão, mas marca o campo inteiro e não dá chances ao adversário de respirar. Os grandes jornais do Rio Grande do Sul veicularam na sexta-feira estreia do Brasil com fotos de capa detalhando o que foi a partida. O Fato do Vale (uma escola de jornalismo comunitário) também estava neste ritmo. Não esqueça acompanhe nossa coluna, Papo de Boleiro, todas as sextas-feiras no Fato do Vale – o jornal mais antigo de Campo Bom – 39 anos escrevendo a história da nossa cidade.
Jair Wingert – jornalista -

segunda-feira, 2 de junho de 2014

EU QUERO MORAR NO FACEBOOK

“Apagaram tudo pintaram tudo de cinza. A palavra no muro ficou coberta de tinta. Apagaram tudo pintaram tudo de cinza. Só ficou no muro tristeza e tinta fresca.”
O mundo envelhece piorando, a violência campeia solta, a desestruturação da família vem gerando sérios distúrbios sociais. Hoje a maior fome que as pessoas enfrentam é a fome de paz interior e harmonização. Não vi nenhum candidato a cargos eletivos colocar em sua agenda de propostas o apoio e o desenvolvimento de projetos de políticas públicas permanentes que atendam a família. Tudo começa na família. Para levar meu voto e meu apoio, pergunto: tem projeto para família? Por outro lado a sociedade consumista é a responsável pela maioria dos delitos e crimes. O mundo vive uma crise sem precedentes e nós estamos enxugando gelo, ou seja, focalizamos a consequência e não a causa. As pessoas estão agitadas, sem tempo para a família, para os amigos, para as coisas simples da vida e aí entra o tremendo malefício que as chamadas redes sociais estão causando. Já notou que as pessoas, especialmente os jovens estão o tempo inteiro ligados no face, instagram, whatsApp e outras parafernálias que estão nos deixando perto de todos nesta aldeia global, mas afastados de nós mesmos e dos outros. Nada substitui um sorriso, um abraço e uma conversa animada. Outro dia estávamos reunidos em grupo de amigos e constatei que ali naquela mesa a gente, no passado  falava de poesia, de livros, filmes, política e sobretudo de sonhos, mas os tempos mudaram e não escapamos deste monstro que vem nos tornando menos humanos. Um dos nossos amigos está literalmente viciado no whatsApp. Na mesa ele não desgrudava do celular e providencialmente liguei para seu telefone. Atendeu com um alô um tanto quanto contrariado, reclamou: “Que sacanagem Jair”  Então apliquei o que o Analista de Bagé classifica de “joelhaço no saco”, tratamento forte e direto ao afirmar ao dileto amigo viciado nas redes sociais. “É mais fácil conversar contigo por telefone. Tu está aqui conosco somente de corpo presente” Mesmo contrariado nosso herói guardou o telefone, mas quinze minutos depois se despediu e rumo ao automóvel sacou do bolso o telefone e se conectou ao “mundo” outra vez. Estamos esquecendo do diálogo, de ouvir a voz das pessoas. Em algumas casas, a cena é tétrica e digna de uma analise freudiana, num sofá a mãe plugada “numa máquina”, na cozinha enquanto janta, o pai está plugado também e num dos quartos, a menina está em contato com o mundo e no outro quarto o garotão de 17 anos conversa com seus “amigos virtuais”.  Muitas vezes a família nem vê o William Bonner e a Poeta dizer “boa noite”, mas o cúmulo é quando a mãe pelo face manda um recado para a filha “Mana vai lá cozinha lavar a louça tb”. Famílias que esqueceram o diálogo, que moram na mesma casa, mas são estranhos; distantes. Outra grande farsa é o chamado facebook. Já viram que as pessoas vivem algo que não são suas vidas. Viajam, tiram fotos e postam fotos, fotografam o que comem. Tiram fotos íntimas que beira o ridículo da exposição. O face é usado para fazer ciúmes e viver algo que não existe. Tudo mentira. No facebook assim como nas novelas tudo é bonito, tudo é maravilhoso que as vezes chego a pensar: eu quero viver no facebook, eu quero viver neste mundo onde tudo é belo! No face não tem desemprego, não existe violência, ninguém está doente. Não existe conta a pagar. Que legal, o face é a solução para os problemas do mundo. Te liga Obama, tá ligada Dilma, Angela Markel e Mujica? Estas ferramentas são importantes, mas tudo requer equilíbrio de nossa parte. Nada substitui o olho no olho, o sorriso, o toque, o abraço fraterno (quem sabe você seu cara pálida está aí se perguntando: o que é abraço? Tenho uma vaga lembrança, deve ser aquele negócio que a gente usa para dar brilho em metais e encontramos no Unidão. Não, isso é brasso e é com dois “Ss” mesmo e se trata de um abrasivo que limpa e dá polimento aos metais, abraço é outra coisa). A beleza está na singeleza das coisas simples e a vida? É bonita e é bonita. Num planeta que agoniza e cambaleia como um bêbado esquecemos da gentileza, aliás, gentileza gera gentileza e como diz a poeta Marisa Monte: “Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade merecemos ler as letras e as palavras de gentileza”. Por isso eu pergunto a você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria. O mundo é uma escola, a vida é um circo. Amor palavra que liberta já dizia um profeta.
Não sei se disse, mas tentei.

terça-feira, 20 de maio de 2014

GUARANÍ: MAIS QUE UM TIME

O bugre que nasceu no Rio Branco ganhou títulos e hoje faz um trabalho de conscientização e busca na fé levar pessoas a Cristo.
O Guarani F.C  na última quinta-feira (15.05),  reinaugurou seu novo uniforme no Ginásio de Esportes Espaço dos Boleiros na Avenida dos Estados próximo ao CEI em Campo Bom.  O Guarani tem horário fixo todas as quintas-feiras da 20 às 21 horas. A equipe do bugre venceu a partida  e realizou uma excelente apresentação, primando pelo velho estilo Guarani e marcação e determinação tática. No final da partida os atletas do Guarani participaram de um animado jantar de confraternização.   O novo uniforme do Guarani tem a marca e talento do web design e publicitário Claudio Cunha que se esmerou nos traços arrojados, sem perder as cores oficiais do bugre campo-bonense que é justamente o verde limão. Outra inovação do setor de marketing do Guarani é o espaço publicitário, na parte frontal das camisas, a publicidade é da TV Novo Tempo  – O Canal da Esperança (Canal 56 ou 14 na Sky) já na parte de traz da camisa o espaço é institucional e o Guarani optou num foco de saúde com a frase: “Doe sangue. Doe órgãos, salve vidas”.   Mas para conhecer um pouco mais a história deste tradicional clube que nasceu no bairro Rio Branco é preciso voltar no túnel do tempo... Vamos viajar?

Um clube que nasceu no Morro e no coração dos meninos
Um grupo meninos de idade entre 8 e 14 anos se reuniam no bairro Rio Branco para jogar futebol, num tempo onde os campinhos da vida eram a única alternativa  para a garotada. Os primeiro jogos aconteciam nos fundos da casa dos Wingert num campinho com goleiras de taquara na Rua Padre Ambrósio. Um dia um dos meninos reuniu o grupo e resolveram criar um time; uma equipe para jogar de  forma organizada, isso corria o ano de 1975. As partidas aos sábados a tarde e aos domingos pela manhã passaram a ser disputadas no sitio da família Strack localizado nas terras dos Fauth as margens da Avenida João Pedro antigo trilho do trem. Hoje está localizado neste espaço o Loteamento Fauth. Naquele tempo craque no Rio Branco era sinônimo de quem jogava bem. Assalto só nos filmes do Ciborg, James West ou do John Wayne. A viatura não corria atrás dos jovens, porque os meninos corriam atrás da bola nos campinhos e se tornaram cidadãos de bem. Durante dois anos os garotos jogavam sem ao menos ter um nome para a equipe, até que em 1977, após rifas, vaquinhas e ajuda dos “Pai”trocinadores surge o primeiro fardamento, camisetas verdes com gola amarela. Então surge o nome de Guarani, lembrando que no ano seguinte, o outro Guarani, o de Campinas (SP), em 1978 conquista o título de campeão brasileiro com um timaço formado por Neneca, Zé Carlos, Zenon, Renato e um ataque com Capitão, Careca e Bozó. Mas o Guarani do Rio Branco seguia sua trajetória jogando contra equipes do bairro- Padaria e Coritiba e também contra adversários de fora como o Paulista, 25 de Julho, sem contar nos torneios disputados e a maioria deles conquistados. Os primeiros atletas do bugre do Morro foram: Gilmar Strack, Paulo Vargas, Jorge Moreira, Jair Wingert, Toni Gressler, Edmilson Nunes, Carlos Moreira, Laone Wingert, Elvio André, Altemir Pereira, Everaldo Wingert,  Mauro Abreu, Sidnei da Silva e Paulinho Arteiro. Ainda vestiram a gloriosa camiseta do bugre; Geraldo Becker, Jaime Machado, Paulinho Apolo, Leonel Vargas, Gilberto Socrates “Na Unha”  e outros.

Parou por que? ... Um novo tempo...
Em 1979 o Guarani acabou perdendo seu estádio uma vez que a família Strack mudou-se para Novo Hamburgo. Neste período ocorre uma mudança de estratégia e o bugre passa a jogar futsal, onde com uma base forte monta uma excelente equipe que conquistou muitos títulos em torneios inclusive fora do municipio.    O Guarani em 1986 fez uma parada, como quem dá um tempo. A vida  seguiu seu curso, uns casaram,outros mudaram de cidade, mas a trajetória daqueles guris sonhadores que amavam jogar e correr atrás de uma bola entrou.   Em 2010, o Guarani retoma as atividades, desta feita com uma proposta de unir e apresentar Cristo como solução para os problemas do mundo. A equipe liderada pelo pastor Marcelo Fragoso passou a jogar com atletas na sua maioria Adventistas do Sétimo Dia visando lazer saudável e confraternização. A tática era a seguinte cada um adventista convida um não adventista para jogar e a partir da amizade apresentam o amigo Jesus. A jogada deu certo e muitos atletas tiveram oportunidade de conhecer a Cristo e seu plano de salvação. Neste segundo momento do Guarani o foco é ser um time missionário, onde o resultado não é o mais importante e sim evangelizar a partir da amizade. O nome Guarani foi uma sugestão de um remanescente da equipe lá de 1975, Jair Wingert. A ideia foi acatada e hoje o Guarani segue sua caminhada jogando agora não por taças, mas procurando através do esporte, da amizade e relacionamento familiar levar pessoas até Cristo.  O Guarani de 2010 teve  algumas formações  e entre estas:  Andrézinho, Marcelo Fragoso, Jorge, Juliano, Régis,  Ivã, Luis Felipe, Paulo Bohn, Antonio, Odirlei,
Jair, Jonas, Denis, Eduardo, Leonardo, Cirano de Carli, Iguio Cabral.  O Guarani segue sua caminhada agora com propósitos diferentes, plantando sementes e mostrando caminhos que levam para o céu!
Esta foi a formação do Guarani em 2011.

domingo, 11 de maio de 2014

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

Hoje se fala muito na questão violência, pois ela assusta, dilacera e nos faz perder o sono. Pagamos impostos altos e a Constituição diz que segurança é dever do Estado, certo? Mas chegamos a tal ponto de pânico que a noite ao chegarmos em casa ficamos assustados a qualquer movimento estranho. Descer do carro para abrir o portão a noite quem se arrisca? Grades, cerca elétrica, câmeras de vídeo, cães, cacos de vidros em cima do muro, segurança privada. Estamos vivendo atrás das grades, pela ausência do Estado. Em Campo Bom e no Rio Grande do Sul como um todo sentimos a ausência de brigadianos em duplas principalmente pelo centro da cidade. O que está acontecendo? Falta efetivo? O salário baixo, a periculosidade inerente a profissão afasta candidatos ao cargo de policial militar? Sabemos que em Campo Bom, o capitão Luciano Veríssimo é um excelente policial, um homem aberto ao diálogo, profissional dedicado e um apaixonado pelo que faz, que vibra com as vitórias dos seus comandados e ao mesmo tempo sofre quando a bandidagem vence alguma batalha. Mas então por que a violência? Por que dos assaltos? Dos arrombamentos? E outros delitos. Numa análise do contexto contemporâneo avançamos numa tese, ou melhor, uma análise. O grande problema é que nos debruçamos sobre a consequência da violência e esquecemos o foco central que é a causa. Os por quês da violência? O sistema prisional é falho, caótico e ultrapassado. As cadeias são faculdades de formação e pós graduação do crime organizado. As prisões não recuperam, pelo contrário criam seres revoltados que na rua se voltam com mais violência contra a sociedade. Enquanto não mudarmos a questão prisional a coisa continuará de mal a pior. O sistema prisional brasileiro deveria obrigar cada detento a trabalhar seis horas por dia dentro da prisão e o valor do salário seria repassado para a família ou depositado numa conta que seria usado após o cumprimento da pena. Outro aspecto, os presos deveriam estudar cinco horas, concluindo o ensino fundamental, ensino médio, bem como, cursos técnicos. A prisão não pode ser ociosa, pois a ociosidade é o laboratório do crime. Se efetuarmos uma pesquisa de cada dez presos, nove são advindos de lares desfeitos, vitimas de violência, de abusos, passaram fome, moraram de forma indigna e não tiveram escolaridade, mas sobretudo, não professaram um religião. Muitos nunca receberam um abraço, não receberam um elogio, um carinho e uma palavra de afeto. O ponto nevrálgico deste debate consiste no por que da violência. Onde pretendo chegar, na minha modesta avaliação existe um trinômio para uma sociedade feliz – Família forte e alicerçada, igreja e não importa qual, o fundamental é ter uma fé; um suporte para enfrentar as vicissitudes desta caminhada. A medicina afirma que pessoas que professam a fé, frequentam uma igreja são mais felizes, se recuperam melhor de doenças, de problemas e contratempos e por último a educação. Um projeto educacional forte e que oportunize a formação de pensadores, e não meros repetidores de informação. Família + Igreja + Escola = Sociedade estruturada e equilibrada. Se nada fizermos algo é imperioso a ser dito: não existe polícia no mundo que dará conta de substituir a ausência de família, ausência de educação (escolaridade no que tem de melhor o conceito), de espiritualidade (fé, valores éticos e morais). Portanto não há estado capaz de suprir tudo isso, sem a participação consciente e cidadã. Não sei se disse, mas tentei. - Jair J. Wingert; jornalista.

terça-feira, 22 de abril de 2014

O GUERREIRO DESCANSOU



A vida sem a presença dos amigos seria como o céu sem estrelas. Os amigos ajudam a continuar a jornada. Os amigos são aqueles que em muitas oportunidades nos falam verdades que parecem duras, mas são pontos fundamentais para a correção de rotas. Na quinta-feira (17.04), recebemos a notícia do falecimento, vítima de um AVC (derrame cerebral) do João Batista do Espírito Santo, o Batista como nós o chamávamos e como ele gostava. Depois de morto todos são redimidos até os maus às vezes passam a ser bons. Definir o Batista é simples, um homem sério, amigo leal, despojado de sentimentos pequenos e alguém que como tantos sonhava com uma Campo Bom para todos. Socialista de primeira hora, ajudou a fundar o partido no inicio dos anos 90 juntamente com a educadora Maria do Carmo, ex-vereadora, Naldo e Maria Carvalho, a também educadora Tereza da Luz Nascimento e outros. Eram tempos difíceis onde como dizia o falecido Xóxi: -“Tinha que bater o escanteio e fazer o gol de cabeça”. Nestes tempos bicudos, os integrantes do PSB tinham que cuidar da parte burocrática, fazer campanha, panfletear, reunir nos bairros, construir núcleos e buscar lideranças nas fábricas, escolas, igrejas, associações. Movidos pelos ditames de Miguel Arraes aquele herói enlouquecido de esperança, os campo-bonenses tinham duas mãos e o sentimento do mundo!  O Batista fazia parte deste grupo e com o nosso guerreiro não havia tempo ruim. Ele ocupou cargos dentro do PSB, inclusive presidente, mas gostava mesmo era de estar na base, lá no bairro, nos campos da várzea, nos bares, nas casas, dialogando e levando as pessoas a pensar. Ele sempre questionava: “A saúde está boa para ti em Campo Bom?”; “A questão moradia está boa?”; “O transporte coletivo é eficiente, de qualidade e barato?”;  “O hospital funciona?”  O Batista amava conversar com as pessoas e afirmava para os novos filiados: “Socialista de verdade não fica em casa, campanha se faz de casa em casa, gastando sapatos e  ouvindo as ansiedades das pessoas”. Outro grande sonho do Batista era presenciar a chegada do PSB ao comando do município. Em 2008, todos sentiam após o maior comício da história de Campo Bom com a presença de mais de 10 mil pessoas na Praça, de que a hora chegara, porém entre a quinta-feira e o domingo que antecede a eleição, existem coisas que a nossa vã filosofia desconhece, ou melhor, conhece muito bem. Em cestas básicas não acredito, mas que elas existem, existem... Em 2008 a bola bateu no poste. Acredito que o sonho apenas foi adiado, pois a história é cíclica e os ciclos tem tempo pré determinado e o de Campo Bom está prestes a se exaurir, pois o universo conspira a favor do sonho. Nós precisamos estar preparados, porque o cavalo vai passar encilhado.
O bom humor era outra magnífica característica do Batista, sempre tinha uma piada, uma frase de efeito e um incentivo para o grupo. Na reunião do partido na quinta-feira (10.04) tive o privilégio de na minha fala enaltecer o papel histórico e a importância do Batista que tinha o ombro calejado de carregar a bandeira do PSB. Tive a alegria de elogiar publicamente o trabalho deste guerreiro sonhador e vi lágrimas de seus olhos. Para mim foi a despedida, ou melhor, um até breve ao meu amigo, Batista guerreiro!  A Maria do Carmo que foi a primeira mulher a ser vereadora na cidade e que prestou relevantes serviços à educação, cultura e a política, pois é uma mulher íntegra, ética, séria que também sonha com uma Campo Bom para todos, ela contou uma das tantas histórias envolvendo o Batista. Reunião no apartamento da Maria, na Avenida João XXIII para fundação do PSB de Campo Bom. Várias pessoas, a maioria trabalhadores, líderes comunitários e professores discutiam política, poesia e a vida, regados à bebida mais democrática do mundo, o chimarrão.  A Maria foi até a cozinha apanhar água para o chimarrão e ao retornar notou que a foto de seu filho Beto Silva estava tapada com uma toalha. O Betão é assessor direto do prefeito Luis Lauermann (PT) de Novo Hamburgo. O Beto é um petista histórico, um excelente ser humano e um profissional altamente competente, com trabalho prestado por longos anos a Prefeitura do Recife, agora voltou ao Rio Grande do Sul para auxiliar o prefeito da cidade vizinha. A foto do Beto na estante tapada fez com que a Maria retirasse a toalha. A água do chimarrão terminou e novamente a Maria vai à cozinha e ao retornar a foto tapada outra vez. “Ela então pergunta: quem é que colocou esta tolha sobre a foto do Beto?” Foi aí que o Batista que estava próximo a estante sorrindo, lascou esta pérola que vai para a história de bastidores da política campo-bonense. “Eu tapei a foto do Beto porque ele é do PT e não precisa ficar vendo e ouvindo as conversas do PSB”, arrancando gargalhadas de todos. Na quinta-feira no velório do Batista pude abraçar sua mãezinha e buscar confortá-la e ouvi dela o seguinte testemunho: “O Batista gostava muito de ti. Em março quando  estavas com o gabinete no centro, no dia internacional da mulher? O Batista esteve lá e tu entregou para ele uma petúnia e pediu para levar para mim. Ele trouxe a plantinha e avisou, “olha foi o vereador do nosso partido quem te mandou”. Plantei no meu jardim e está linda. Obrigado por você estar aqui meu filho”, disse-me a progenitora do Batista. 
 Morreu o Batista do Espirito Santo, sepultado em Santa Maria do Butiá ou dos Caboclos próximo ao túmulo de seu pai. Descansou o guerreiro, mas o sonho não acabou, apenas um até breve, quem sabe 2016 ou 2020, mas nós teremos uma Campo Bom para todos e será o dia em que a esperança vai vencer o medo. Agradeço a Deus pelo privilégio de ter conhecido um ser humano da grandeza de um João Batista do Espírito Santo, porque no dia em que o Batista nasceu todos a sua volta sorriram, só ele chorou, porém o guerreiro viveu de tal modo que no dia da sua morte, todos a sua volta choraram, só ele sorriu. Descansa em paz amigo.